Depois da euforia, mercado passa a ter cautela com trade eleitoral: o que esperar?
A Bolsa brasileira vive uma espécie de ressaca após a euforia do primeiro turno das eleições.
Depois de disparar 8,82% na semana passada, no melhor desempenho desde março de 2020, o Ibovespa passou a devolver parte dos ganhos, enquanto o dólar voltou a subir e os investidores reduziram posições mais agressivas à medida que a disputa presidencial se mostra mais apertada do que o mercado imaginava logo após a votação.
Nos três pregões desta semana até esta quinta-feira (15), o Ibovespa acumulou queda de 2,3%, na casa dos 204 mil após bater os 209 mil, enquanto o dólar avançou mais de 2%, voltando para a região de R$ 5,09.
A mudança de humor reflete uma combinação de fatores: pesquisas mostrando um segundo turno competitivo, dúvidas sobre o cenário fiscal e novas propostas com potencial de impacto nas contas públicas, como a tarifa zero para transporte urbano aos fins de semana, o perdão de dívidas de MEIs e os debates em torno da redução da jornada de trabalho.
Para Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, o movimento representa um “choque de realidade” após a reação inicialmente exuberante ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Segundo ele, parte do mercado passou a rever apostas diante da percepção de que a eleição continua aberta e dependerá fortemente das pesquisas e dos eventos de campanha das próximas semanas.
A mesma leitura aparece no câmbio, conforme avalia Márcio Riauba, da StoneX Banco de Câmbio, que aponta que a nova rodada de pesquisas reduziu a convicção que sustentava boa parte do fechamento recente do prêmio político nos ativos brasileiros.
O especialista avalia que o real deve continuar bastante sensível às próximas pesquisas e à percepção de qual candidato oferece maior previsibilidade fiscal.
“A leitura predominante é que o movimento daqui para frente dependerá menos do resultado do primeiro turno e mais da velocidade de convergência das próximas pesquisas.
Caso os levantamentos passem a indicar uma vantagem mais consistente para um candidato associado a maior previsibilidade fiscal, o real pode voltar a capturar fluxo estrangeiro adicional.
Por outro lado, um cenário de disputa apertada até a reta final tende a manter volatilidade elevada e demanda por proteção cambial”, aponta.
Na noite de quinta-feira, pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu no segundo turno da disputa pelo Planalto, mostrou pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, ainda que as variações registradas estejam dentro da margem de erro.
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