'A França está liderando uma revolução na moda', diz Alexandra Farah em Paris
Durante décadas, a indústria do luxo foi considerada um dos setores mais resilientes da economia global. Mesmo em momentos de crise, marcas tradicionais francesas continuaram registrando crescimento e preservando seu prestígio. Mas esse cenário começa a mudar. Para a jornalista Alexandra Farah, especialista em moda, sustentabilidade e comportamento, a Europa vive hoje uma verdadeira revolução industrial que está remodelando os rumos do setor.
Em entrevista à RFI , Farah afirmou que a França ocupa posição de destaque nesse processo por liderar iniciativas voltadas à transparência, rastreabilidade e economia circular. Segundo ela, as novas exigências regulatórias prometem alterar profundamente a forma como roupas e acessórios são produzidos, vendidos e descartados.
"A França está encabeçando esse movimento. Estamos no meio de uma revolução industrial baseada na transparência, na circularidade e em uma indústria mais moderna", resume.
Entre as mudanças mais significativas está a criação do chamado passaporte digital do produto. A ferramenta permitirá que consumidores tenham acesso a informações detalhadas sobre a origem das peças, matérias-primas utilizadas, emissão de carbono e processos produtivos.
A medida surge em um momento de questionamento crescente sobre os bastidores do mercado de luxo. Escândalos recentes envolvendo condições de produção e a enorme diferença entre custos de fabricação e preços finais ao consumidor contribuíram para desgastar a imagem de algumas grandes marcas.
Farah observa que o setor ainda sente os efeitos do chamado revenge buying , fenômeno registrado após a pandemia, quando consumidores voltaram às compras de forma intensa após os períodos de confinamento. Agora, porém, os sinais apontam para desaceleração.
"As marcas cresceram muito naquele período, mas hoje várias delas enfrentam queda nas vendas. Algumas registram recuos significativos em comparação com anos anteriores", afirma a jornalista, que já atuou em diversos veículos de comunicação, incluindo revistas, rádio e televisão. "A avenida Montaigne, endereço do luxo francês, está vazia", aponta.
Se o mercado de luxo enfrenta desafios, a moda ultrarrápida também está sob crescente escrutínio. Plataformas digitais capazes de lançar milhares de modelos por dia transformaram radicalmente o consumo de vestuário.
Farah cita o caso da gigant e chinesa Shein para ilustrar a velocidade inédita do setor. Segundo ela, algoritmos e inteligência artificial permitem testar pequenas quantidades de produtos e ampliar rapidamente a produção quando determinado item viraliza nas redes sociais.
O impacto ambiental desse modelo preocupa reguladores europeus. A jornalista destaca que, durante muito tempo, a responsabilidade pelo consumo sustentável foi atribuída exclusivamente ao comprador. Agora, o foco começa a se deslocar para a cadeia produtiva.
"Não adianta colocar toda a responsabilidade sobre o consumidor. As pessoas compram o que está disponível e acessível.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.