El Niño começa a provocar grandes secas no continente e acende alerta para água e energia
O avanço do fenômeno El Niño já provoca impactos sobre secas e a disponibilidade de água em diferentes partes das Américas. Na América Central, Honduras enfrenta uma das situações mais críticas: 234 dos 298 municípios do país estão sob algum nível de alerta por causa da seca , sendo 75 deles em alerta vermelho.
A situação envolve redução dos níveis de reservatórios, perdas na agricultura e morte de animais. O governo hondurenho adotou medidas emergenciais para ampliar o acesso à água e reduzir os impactos sobre a produção de alimentos.
O cenário ocorre enquanto o El Niño ganha força no Pacífico. O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e de chuva, provocando condições mais secas em algumas áreas e aumento das precipitações em outras. Na América Central e no Caribe, a tendência associada ao fenômeno é de redução das chuvas e maior risco de déficit hídrico .
A Secretaria de Gestão de Riscos e Contingências de Honduras (Copeco) elevou para alerta vermelho 75 municípios devido à seca meteorológica associada ao El Niño. Outros 71 municípios estão em alerta amarelo e 88 em alerta verde.
Ao todo, portanto, 234 dos 298 municípios hondurenhos estão sob algum nível de alerta. A medida entrou em vigor em 18 de agosto e prevê inicialmente 120 dias de ações emergenciais.
Entre as áreas mais afetadas estão municípios dos departamentos de Francisco Morazán, Choluteca, El Paraíso, La Paz, Valle e Comayagua, região que integra o chamado Corredor Seco da América Central .
A capital, Tegucigalpa, também está entre as localidades em alerta vermelho.
A escassez de chuva já afeta diretamente o abastecimento de água e a produção rural. O governo de Honduras informou que as medidas emergenciais incluem perfuração de poços, construção de reservatórios, instalação de bombas solares e sistemas de irrigação por gotejamento .
Também foram anunciadas ações de assistência a produtores, incluindo distribuição de sementes, fertilizantes e alimentos para o gado.
O governo estima que mais de 134 mil famílias estejam nas comunidades afetadas pela emergência. A preocupação não se limita ao consumo de água: a redução da produção agrícola e a perda de animais também aumentam os riscos para a segurança alimentar.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já havia apontado, em sua análise sobre o El Niño nas Américas, riscos de seca em partes da América Central, do Caribe e do norte da América do Sul , com possíveis impactos sobre disponibilidade de água, produção de alimentos e saúde pública.
A falta de água pode ter reflexos além do abastecimento. Em países latino-americanos que dependem fortemente de hidrelétricas, períodos prolongados de seca podem reduzir a geração de eletricidade.
Um estudo divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que as secas podem reduzir a geração hidrelétrica e aumentar a necessidade de recorrer a outras fontes de energia. A instituição destaca que a hidreletricidade responde por quase metade da geração de eletricidade da América Latina e do Caribe.
No Brasil, porém, o cenário não é uniforme.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.