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Governo reduz para 2% o crescimento do PIB e espera inflação menor em 2026

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Governo reduz para 2% o crescimento do PIB e espera inflação menor em 2026

O Ministério da Fazenda reduziu sua projeção oficial para o crescimento da economia em 2026, de 2,3% para 2%, e cortou a estimativa de inflação de 5,1% para 4,9%. As novas projeções, divulgadas nesta quarta-feira (15) no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), indicam desaceleração da atividade econômica nos setores de serviços e indústria. A inflação, apesar da melhora, deva continuar acima do teto da meta.

A atividade econômica de 2026 deve crescer 2%, abaixo do esperado. A revisão na estimativa do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,3% para 2,0%, foi motivada por uma piora nas projeções para os setores de serviços (de 2,4% para 1,8%) e indústria (de 2,1% para 1,7%), parcialmente compensada por melhora na agropecuária (de 1,8% para 2,8%).

A desaceleração é resultado da "transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica". O boletim indica que o efeito dos juros altos sobre o consumo e o investimento está sendo mais sentido. O comprometimento da renda das famílias "atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo", diz o texto.

A projeção de inflação para 2026 recuou para 4,9%, mas ainda supera a meta. A revisão para baixo reflete resultados melhores que o esperado para os preços de alimentos no domicílio e de alguns serviços até julho. Mesmo com a melhora, a estimativa do governo para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) continua acima do limite máximo de 4,5% perseguido pelo Banco Central (meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto).

Para o INPC, usado no reajuste do salário mínimo, a projeção caiu de 5,3% para 5,1%. A Fazenda, no entanto, alerta para fatores de risco que podem pressionar os preços, como o fenômeno El Niño e a alta do petróleo devido a conflitos internacionais, que "elevou as incertezas quanto aos efeitos de segunda ordem da alta do preço do petróleo sobre outras cadeias produtivas", diz a SPE.

Para 2027, o governo projeta um crescimento menor, com inflação maior. O boletim também ajustou as expectativas para o ano que vem, revisando o crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% e elevando a projeção de inflação de 3,6% para 3,8%.

A piora no cenário de preços de 2027 é justificada "refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano". O documento também projeta possível reversão no ciclo pecuário que pode encarecer as carnes. A atividade econômica mais fraca, por sua vez, reflete um ciclo de queda de juros "marginalmente mais gradual do que o previsto anteriormente", o que adia parte da recuperação da economia para os anos seguintes.

O Boletim Macrofiscal funciona como bússola de planejamento e transparência para as contas públicas brasileiras. Elaborado de forma bimestral pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o documento divulga as projeções oficiais de curto e médio prazo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e as estimativas de inflação, como o IPCA e o INPC.

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