Vídeos curtos reduzem temporariamente a atividade de áreas do cérebro ligadas ao autocontrole
Assistir a vídeos curtos, formato comum no Instagram ,Tik Tok e Youtube, pode reduzir temporariamente a atividade de regiões do cérebro associadas ao controle cognitivo.
Foi o que encontrou um estudo com 56 jovens adultos publicado na revista científica NeuroImage .
O resultado, porém, não significa que TikTok, Instagram Reels ou plataformas semelhantes estejam destruindo a capacidade de autocontrole dos usuários.
Os pesquisadores analisaram principalmente duas regiões: o córtex cingulado anterior dorsal (dACC) e o córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC).
Ambas participam de processos como monitoramento de conflitos, tomada de decisões e controle do comportamento.
Vídeos preferidos provocaram a maior redução de atividade Durante o experimento, os participantes podiam continuar assistindo a um vídeo ou avançar para o próximo.
Os clipes vistos até o final foram classificados como preferidos, enquanto os abandonados rapidamente foram tratados como menos preferidos.
Exames de ressonância magnética funcional mostraram uma redução significativa da atividade tanto no dACC quanto no dlPFC durante os vídeos preferidos.
Nos vídeos rejeitados, o efeito foi menor: a atividade do dACC não apresentou diferença significativa em relação à linha de base, enquanto o dlPFC continuou apresentando redução.
Os vídeos usados tinham duração variável; em uma descrição anterior do protocolo experimental, a duração média era de aproximadamente 23,7 segundos.
Menos atividade não significa menos capacidade de autocontrole A interpretação mais importante está justamente no que o estudo não demonstra.
Segundo os próprios autores, a desativação dessas regiões não deve ser entendida como falha ou deterioração da capacidade de controle cognitivo.
Uma explicação considerada mais provável é que assistir passivamente a algo agradável exige pouco conflito ou esforço mental.
O cérebro poderia, portanto, reduzir temporariamente o uso de mecanismos de controle “de cima para baixo” e favorecer um processamento mais automático e imersivo.
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