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Economia

Análise: Deflação do IPCA-15 é bom sinal, mas ainda insuficiente para Selic cair mais

InfoMoney ·
Análise: Deflação do IPCA-15 é bom sinal, mas ainda insuficiente para Selic cair mais

O IPCA-15 de agosto registrou queda de 0,40% , resultado mais forte que a baixa de 0,3% projetada pelo mercado financeiro, e reacendeu a discussão sobre o espaço para novos cortes na taxa Selic.

No acumulado de 12 meses, o indicador considerado prévia da inflação oficial caiu a 4,24%.

A reação apareceu de imediato nos juros futuros, que recuaram após a divulgação, principalmente nos contratos mais curtos e médios.

As projeções das casas, porém, seguem divididas.

A Genial Investimentos vê evidências suficientes para sustentar um novo corte já na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto o Goldman Sachs avalia que há pouco espaço para reduções.

A divergência tem origem na composição do resultado.

Na análise dos economistas, o dado indica que a política monetária está cumprindo seu papel de segurar os preços com juros altos, mas a deflação de agosto se concentrou em efeitos sazonais e não recorrentes, enquanto a pressão inflacionária permanece viva no setor de serviços.

Leia também: Prévia da inflação surpreende e derruba taxas do Tesouro Direto nesta quarta As maiores baixas do IPCA-15 de agosto IPCA-15 Julho (%) Agosto (%) Índice Geral 0,06 -0,4 Alimentação e bebidas -0,66 -0,57 Habitação 0,97 -1,41 Artigos de residência 0,19 0,04 Vestuário -0,33 -0,2 Transportes 0,11 -1 Saúde e cuidados pessoais 0,28 0,4 Despesas pessoais 0,08 0,66 Educação -0,04 0,46 Comunicação -0,02 -0,02 Fonte: IBGE Deflação puxada por fatores temporários O resultado mensal, que capta a variação de preços entre 15 de julho e 15 de agosto, foi puxado para baixo pelos grupos de Habitação, com queda de 1,41%, Transportes, que recuou 1,00%, e Alimentação e bebidas, com baixa de 0,57%.

A queda em habitação é explicada pelo recuo em energia elétrica.

Basiliki Litvac, economista da XP, destaca que o resultado vem do bônus de Itaipu, que derrubou as contas de energia, com recuo de 6,25%.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, reforça a cautela ao lembrar que esse alívio é temporário e adverte que os preços da categoria voltarão a subir na mesma magnitude em setembro.

“A deflação em agosto foi resultado de uma combinação de fatores temporários: (i) o pagamento do bônus de Itaipu, provocando deflação da energia elétrica, (ii) alimentos em deflação, em parte por fatores sazonais, (iii) combustíveis em queda e (iv) deflação de passagens aéreas”, avalia Claudio Ferraz, economista-chefe da Galapagos Capital.

O quadro produziu uma melhora mais intensa que a esperada no curto prazo, com queda na média móvel de 3 meses (dessazonalizada e anualizada) da média dos núcleos de 4,5% para 3,9%.

“Por outro lado, o desempenho pior do que o esperado nos serviços segue como alerta”, afirma.

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