Por que a mostra sobre a Tapeçaria de Bayeux atrai multidões na Inglaterra
Na segunda metade do século XI, um imenso tapete de 68 metros de comprimento, adornado por milhares de desenhos costurados em nove painéis de linho, deixou a Inglaterra rumo à Normandia.
Confeccionado na era medieval, o artefato ficou esquecido por anos e só foi redescoberto na França no século XVIII, durante o inventário de uma igreja.
Agora, 950 anos após deixar as terras inglesas pela primeira e última vez, a Tapeçaria de Bayeux, como ficou conhecida, está de volta para uma badalada mostra que acaba de estrear no Museu Britânico e é um fenômeno antecipado de público: mais de 100 000 ingressos já foram vendidos, o que significa entradas esgotadas até o final do ano.
O fascínio pela relíquia é compreensível — a começar por seu formato pitoresco e pela logística que seu retorno à Inglaterra requereu.
Quando estendida, a peça tem o comprimento de um Boeing 747.
O empréstimo negociado entre os governos britânico e francês só foi possível graças ao maior seguro já feito por uma obra de arte, na casa dos 800 milhões de libras (ou 5,6 bilhões de reais).
A tapeçaria atrai curiosidade, sobretudo, por seu valor histórico: antes de virar blockbuster, afinal, ela foi testemunha das disputas que ajudaram a formar a Europa como a conhecemos hoje.
BLOCKBUSTER – A exibição: ingressos esgotados e seguro recorde de 5,6 bilhões de reais Jonathan Brady/PA Images/Getty Images Parte da cultura popular, com aparições em produções como Game of Thrones , o bordado é dividido em 58 cenas.
O conjunto retrata o período de 1064 a 1066, quando a campanha e posterior conquista normanda mudou a história da Inglaterra, com a derrota do rei anglo-saxão Haroldo II pelo duque Guilherme da Normandia — cujos descendentes ocupam, até hoje, o trono inglês.
“É o lado francês da história da minha família”, disse o rei Charles II ao receber a tapeçaria no país.
“Há 1 000 anos, a obra representava uma travessia que mudou a história.
Hoje, ela atravessa o canal por um túnel que construímos juntos”, completou o presidente francês Emmanuel Macron, exaltando a colaboração entre as nações na criação do Eurotúnel, sob o Canal da Mancha.
Continua após a publicidade Mais importante registro visual de sua época, a tapeçaria é amplamente estudada como narrativa histórica e artística.
Numa das cenas, a tropa de Guilherme, o Conquistador aparece navegando rumo à Inglaterra para a Batalha de Hastings, que selou o fim do domínio anglo-saxão na região.
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