Máfia em crise: as séries de TV que observam o crime (não tão) organizado
O casal Conrad e Maeve Harrigan, interpretados pelos ótimos Pierce Brosnan e Helen Mirren, comanda há décadas o lucrativo tráfico de drogas na região norte de Londres, na série Terra da Máfia , que acaba de lançar sua segunda temporada no Paramount+.
A dupla encabeça uma dinastia de mafiosos que, iludida pelos louros do passado, crê ser indestrutível.
São, contudo, disfuncionais e inconsequentes, postura que os leva rumo à decadência em um mundo mais dinâmico e digital — e de competição mais acirrada entre criminosos.
Na nova fase, quando o chefe de uma facção rival insinua que os Harrigan estão obsoletos, o casal simplesmente mata uma dezena de adversários à luz do dia, no camarote de um estádio para corridas de galgos.
Cabe então ao incansável faz-tudo do clã, Harry Da Souza (Tom Hardy), limpar os vestígios do caos.
“Se chama crime organizado por uma razão”, alerta, ironicamente, um dos seguranças, apontando para a bagunça causada pelos patrões — e que pode ser a ruína deles.
ESCANTEADO - Stallone na série Tulsa King: menosprezado pelo filho do chefe Steve Swisher/Paramount+ A série criminal britânica criada por Ronan Bennett, com episódios dirigidos pelo incensado cineasta Guy Ritchie, desmistifica a aura de intocáveis dos gângsteres, idealizada por clássicos como O Poderoso Chefão , para colocá-los no século XXI com uma pegada à la Succession .
Os Harrigan têm dinheiro e influência, mas seu poder está ameaçado por disputas internas entre os filhos problemáticos.
Eles não estão sós: a TV vem expandindo o retrato desses figurões do crime, que, além de atrativos, servem como um ótimo contraste para dilemas morais dos dias de hoje, especialmente no que diz respeito à fragilidade das relações familiares e da quase extinta lealdade, assuntos antes caros a esses grupos.
Em Tulsa King , outra da Paramount+, que ganha uma quarta temporada em 16 de outubro, o protagonista de Sylvester Stallone passa 25 anos preso, protegendo o chefe mafioso, e, quando solto, é escanteado pelo filho dele, que o expulsa de Nova York e o leva à insossa Tulsa, em Oklahoma — lá, o grandalhão septuagenário tem de reconstruir sua “carreira” ilícita do zero.
A chegada de uma nova geração com códigos morais distintos é também o motor da série Magnatas do Crime , da Netflix, esta criada por Guy Ritchie, um entusiasta do filão.
Na trama, o herdeiro de uma burguesia rural descobre que uma propriedade da família está ligada a um império da maconha — e é seduzido a assumir o negócio.
Até o Brasil achou um recorte do gênero para explorar: em Os Donos do Jogo , da Netflix, a hierarquia de bicheiros no Rio de Janeiro é ameaçada por jovens ambiciosos e pela possível legalização dos jogos de azar.
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