EXCLUSIVO: ONG de Karina Gama, produtora de ‘Dark Horse’, teve tesoureiro fantasma e atas com assinaturas suspeitas
Comandado por Karina Ferreira da Gama , dona da produtora do filme “Dark Horse” – a cinebiografia de Jair Bolsonaro –, o Instituto Conhecer Brasil, o ICB, teve um tesoureiro fantasma por seis anos.
Documentos inéditos mostram ainda que a grafia de assinaturas de conselheiros ligados à direção da entidade muda completamente em diferentes atas e diverge daquelas encontradas em outros registros oficiais, que não envolvem o instituto – um indício de que podem ter sido fraudadas.
Em 2024, essa mesma organização fechou um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo , na gestão de Ricardo Nunes, do MDB, para instalação de Wi-Fi público na capital, revelado em primeira mão pelo Intercept Brasil .
O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.
O ICB também está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura o desvio de recursos de emendas parlamentares para o instituto — incluindo um total de R$ 2 milhões em emendas enviadas pelo deputado federal Mario Frias, do PL, que é roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”.
Nos documentos obtidos pelo Intercept, o caso que mais se destaca é o do eletricista Jacio de Medeiros Dantas, de 64 anos.
Ele disse ao Intercept que emprestou seu nome para o cargo de tesoureiro-geral do ICB, atendendo a um pedido da mãe de Karina, que perguntou se ele não poderia “ajudar” a empresária.
LEIA TAMBÉM: ONG da produtora de Dark Horse cedeu dados de usuários do Wi-Fi Livre em SP para disparos em massa ONG da produtora de ‘Dark Horse’ desviou recursos do Sesi em 7 estados e no DF, segundo CGU ‘Dark Horse’: Ligada a evangélicos, produtora de filme de Bolsonaro tem contrato de R$ 108 milhões com prefeitura de Ricardo Nunes em SP Dantas aparece nas atas da organização como tesoureiro-geral eleito em gestões entre 2014 a 2021, e também como secretário de assembleias.
Mas, ao ser questionado pela reportagem por telefone, negou que fizesse parte da ONG.
Tesoureiros de entidades desse tipo têm como principal atribuição a gestão dos recursos financeiros, o que inclui controle do caixa, dos pagamentos e dos recebimentos.
“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB].
Até porque eu tenho outro trabalho.
Eu sou autônomo, trabalho na área elétrica.
Eu não tinha tempo para fazer nada”, afirmou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.