'Só para quem entende alemão': regra em praia gera acusações de xenofobia
Uma área de banho às margens do lago Heidesee, na cidade de Halle, no leste da Alemanha, tornou-se alvo de acusações de xenofobia após restringir a entrada de pessoas que não conseguiam compreender orientações em alemão.
A regra foi adotada no Heidebad, praia administrada por uma empresa privada dentro do lago público. Segundo Mathias Nobel, responsável pelo estabelecimento, os visitantes precisam entender as normas e instruções transmitidas pelos salva-vidas.
Críticos, porém, afirmam que o critério linguístico exclui estrangeiros e grupos inteiros da população. A Prefeitura de Halle pediu a retirada da restrição e sugeriu alternativas como pictogramas, códigos QR e informações traduzidas.
Resgate de criança teria motivado decisão. De acordo com Nobel, a decisão foi tomada após sucessivos episódios em que frequentadores ignoraram ou não compreenderam alertas de segurança. A situação teria chegado ao limite em junho, quando uma criança pequena precisou ser resgatada depois de entrar em uma parte do lago com 13 metros de profundidade.
Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, Nobel afirmou que encontrou dificuldades para orientar famílias que não entendiam alemão. "Famílias numerosas chegavam ao local e, quando eu tentava explicar as regras de segurança aos pais, ficava claro que eles não conseguiam me compreender", disse o administrador ao The Telegraph. Segundo ele, algumas crianças também nadavam sem boias de braço, enquanto os responsáveis respondiam apenas "sim, sim" às advertências, sem demonstrar que haviam compreendido o que estava sendo dito.
Não se trata, de maneira alguma, de ser alemão ou de não ser alemão. Trata-se de compreender as regras de uma área de banho que inclui um lago com 13 metros de profundidade Nobel, ao jornal
O administrador disse ainda que visitantes estrangeiros podiam entrar quando demonstravam ter entendido as orientações, inclusive por meio de aplicativos de tradução no celular.
A medida provocou críticas de autoridades municipais e de organizações de defesa dos direitos de migrantes. O prefeito de Halle, Alexander Vogt, afirmou que o administrador deveria retirar a restrição porque o acesso à área de banho precisa ser garantido ao público.
Quando estou no exterior, também não sou proibido de nadar em um lago oficialmente autorizado para banho público apenas porque não domino o idioma local Alexander Vogt, prefeito da cidade, à emissora pública regional MDR
A Prefeitura de Halle reconheceu que o estabelecimento precisa garantir a segurança dos frequentadores. No entanto, considerou que o objetivo não justifica uma proibição baseada no conhecimento de um idioma.
O caráter público [da área de banho] não pode ser comprometido pela implementação de regras internas que representem uma barreira generalizada de entrada para grupos inteiros da população Prefeitura de Halle, em nota pública
As autoridades também alertaram que "qualquer ação que possa ser interpretada como xenófoba pode prejudicar a reputação da cidade".
Como alternativa, a prefeitura sugeriu que o Heidebad utilize símbolos de compreensão universal, placas em diferentes idiomas ou códigos QR.
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