Quem Carrega o Risco do Agro?
Em 2021, o Brasil tinha cerca de 14 milhões de hectares cobertos por seguro rural subvencionado.
Em 2025, eram 3,2 milhões de hectares, pouco mais de 3% da área plantada.
A maior agricultura tropical do planeta enfrenta secas, enchentes e geadas com o risco praticamente descoberto.
Não foi apenas falta de demanda.
Foi escolha orçamentária: a subvenção ao prêmio, que passou de R$ 1,1 bilhão em 2021, foi executada em R$ 565 milhões no ano passado.
O resultado é conhecido.
Quando a safra quebra, o prejuízo sai da lavoura, entra no balanço do produtor, contamina a carteira dos bancos e termina no Tesouro, sob a forma de prorrogações, renegociações e programas extraordinários.
O país financia a produção antes e socorre o produtor depois.
Nunca organizou o meio.
A Lei 15.526, sancionada em 29 de setembro, pode começar a corrigir essa distorção.
Seu alcance vai muito além de uma reforma do seguro rural.
A apólice passa a integrar as garantias do crédito rural, com o banco credor como primeiro beneficiário da indenização.
Operações seguradas poderão ter juros, prazos e limites melhores.
O poder público volta a poder exigir seguro como condição para o custeio, algo vedado desde 2015.
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