O besouro exótico com uma armadura tão resistente que consegue sobreviver ao peso de um carro
Estrutura formada por élitros fundidos e encaixes semelhantes a um quebra-cabeça suporta cargas extremas sem sofrer ruptura imediata
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Pequeno, escuro e incapaz de voar, o Phloeodes diabolicus desenvolveu uma defesa que surpreendeu até engenheiros de materiais. Experimentos mostraram que seu exoesqueleto suporta forças equivalentes a cerca de 39 mil vezes o próprio peso, resistência suficiente para explicar relatos de indivíduos sobrevivendo até quando um pneu de carro passa sobre eles.
Conhecido como besouro-diabólico-encouraçado, ele vive no oeste da América do Norte e perdeu a capacidade de voar ao longo de sua evolução. Seus élitros, estruturas que normalmente protegem as asas de voo dos besouros, tornaram-se permanentemente unidos e passaram a funcionar como uma verdadeira cobertura estrutural sobre o abdômen.
O segredo não está em um material mineralizado extraordinariamente duro, mas na arquitetura do exoesqueleto. Camadas de quitina combinadas com uma matriz rica em proteínas formam uma estrutura capaz de resistir à carga sem sofrer uma ruptura súbita. Essa capacidade de deformar e dissipar energia é tão importante quanto a resistência propriamente dita.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine realizaram testes colocando os insetos sob compressão e também observaram sua conhecida capacidade de sobreviver ao atropelamento por carros. Em laboratório, o exoesqueleto começou a fraturar somente próximo de 150 newtons.
O vídeo abaixo foi publicado em conexão direta com a pesquisa da Purdue University e mostra a estrutura do besouro, os testes e a engenharia por trás de sua resistência. É um registro específico do estudo, não apenas um vídeo genérico sobre insetos.
Microscopia, tomografia com raios X e testes mecânicos revelaram uma junção central extremamente incomum. As duas partes dos élitros encontram-se numa sutura formada por estruturas interdigitadas com geometria semelhante às peças de um quebra-cabeça tridimensional.
Quando a pressão aumenta, essas estruturas não simplesmente se partem no ponto mais fino. Suas camadas começam a se separar gradualmente, num mecanismo chamado delaminação. Isso espalha a energia e evita uma falha catastrófica instantânea que poderia romper o exoesqueleto ou provocar uma fratura fatal na região do pescoço.
Sim, mas esse valor representa o resultado de testes específicos de compressão, e não significa que qualquer indivíduo possa suportar qualquer impacto nessa proporção. A equipe mediu uma força máxima próxima de 149 a 150 newtons antes do início da fratura do exoesqueleto.
Para um ser humano de aproximadamente 90 quilos, a proporção corresponderia a milhões de quilos de carga. Portanto, comparações com centenas de elefantes servem apenas como ilustrações matemáticas e não reproduzem as mesmas condições mecânicas enfrentadas pelo inseto.
Os pesquisadores perceberam que aquela sutura natural poderia inspirar novas maneiras de unir materiais diferentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.