Por que analistas desconfiam do saldo positivo que Lula prometeu no orçamento de 2027
Apresentada na noite da segunda-feira, 31, a proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o Orçamento de 2027 projeta um resultado positivo nas contas federais , quer dizer, a promessa é que as despesas para o ano serão menores do que a arrecadação.
Caso isso de fato seja cumprido, será o primeira vez desde 2022 em que as contas públicas ficarão no azul – elas passaram todo o governo Lula no vermelho – e apenas a segunda vez que isso acontece em 12 anos .
Desde 2014 as despesas federais são deficitárias, à exceção apenas de 2022.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) apresentado nesta segunda traz as projeções para a arrecadação e o planejamento das despesas para 2027.
A projeção da peça desenhada pela equipe econômica é de um superávit de 18,6 bilhões de reais ao fim do ano, o equivalente a 0,13% do PIB.
O texto precisa ser votado e aprovado pelo Congresso até 31 de dezembro, para começar a valer em janeiro.
Na análise de especialistas em contas públicas, não é um resultado de todo impossível, mas ele está galgado em várias premissas que, como de costume , podem estar excessivamente otimistas, e pode acabar desviado ao primeiro pequeno imprevisto.
É o caso de projeções para o produto interno bruto (PIB) e para a arrecadação mais infladas e despesas menores do que a realidade possa acabar permitindo.
A projeção da gestora Warren, por exemplo, é de um déficit primário de 0,38% do PIB em 2027 – quer dizer, quase 0,5% a menos que o 0,1% positivo afirmado pelo governo.
Essa sobra orçamentária de 18 bilhões de reais prevista na Ploa também está bastante longe do resultado estimado pelo banco BTG Pacutal, que é de um déficit de 27 bilhões de reais no ano que vem.
Trata-se de um buraco de 45,6 bilhões de reais em relação à estimativa oficial.
“A composição entre receitas e despesas difere de maneira relevante em relação às nossas projeções para o próximo ano”, disse o BTG em um relatório a clientes, assinado pelo analista Fabio Serrano.
A diferença entre as projeções, explica o banco, se dá tanto pelo fato de as receitas estarem superestimadas na Ploa como, principalmente, pelo chamado “empoçamento”, uma conta extimada em 27 bilhões de reais pelo BTG e que o banco coloca no cálculo e o governo não.
Continua após a publicidade O empoçamento é o que sobra ao fim do ano da verba liberada, que os ministérios acabam não gastando por conta de atrasos em licitações ou projetos, por exemplo, e que acaba melhorando artificialmente os resultados no balanço orçamentário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.