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O que um motorista de aplicativo me ensinou em um dia difícil

A Tarde ·
O que um motorista de aplicativo me ensinou em um dia difícil

Naquele dia, o carro por aplicativo demorou um tempão para chegar.

Eu tentei entender, porque estava nas imediações da Avenida Paralela e o trânsito ali, no horário da manhã, é de um ritmo molusco.

Finalmente o automóvel chegou, velho, com a pintura descascando, dirigido por um motorista enorme, barba por fazer, aspecto desleixado.

Assim que entrei, ele disparou:— Você não viu as mensagens que te enviei?— Desculpe, estou meio doente hoje.

Estou indo para casa descansar.Eu não aguentava mais ficar na rua.

Meus olhos quase fechavam, ardidos com a claridade, talvez resultado da mesma virose que fazia o corpo doer.

Entramos no tráfego e o marmanjo a princípio cantarolou algo, depois debochou dos motoqueiros que faziam ultrapassagens arriscadas e, depois, do nada, começou a falar da família.— Todo mundo quer ter razão, todo mundo está certo, mas quem sustenta tudo, família, filho? Eu! Isso ninguém quer saber.

Na hora da verdade, tiram o corpo fora.No banco de trás, eu fazia questão de concordar.

Só queria que ele adiantasse a viagem e evitasse entrar em temas espinhosos como religião ou política.

O motorista tinha queixa do irmão, que possuía uma lanchonete, como ele próprio possuía.

Então os dois eram concorrentes e desafetos.

Desconfiava dos amigos, pois eram “vacilões exibidos".

Para completar, desprezava as soluções oficiais para os problemas sociais – problemas que ele enfrentava, aliás.— Malditos intelectuais.

A cadeia está cheia deles.A certa altura, apontou um grupo de pessoas em situação de rua.— Olha ali, se você me deixar naquele meio, eu fico numa boa.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.

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