A cultura woke matou Jason Arday
Jason Arday foi encontrado morto numa casa no sul de Londres, na tarde de 14 de agosto. Tinha 41 anos. A polícia londrina classificou a morte como "inesperada, mas não suspeita", o eufemismo britânico para suicídio. Uma tragédia lamentável e evitável.
Nove dias antes, ele havia renunciado à cátedra de sociologia da educação na Universidade de Cambridge. Três dias antes, a editora Simon & Schuster lançou suas memórias, um contrato milionário e raro para um autor iniciante. Mas ele não era um autor qualquer.
Cambridge fez alarde ao contratar Arday em 2023, como o professor negro mais jovem dos seus 800 anos de história. Tinha produção acadêmica medíocre para os critérios da universidade, um currículo que não seria suficiente nem para uma vaga como aluno de doutorado.
Foi contratado para ser garoto-propaganda de uma ideologia radical, elitista e embusteira que acabou tirando sua vida. Não foi a seleção de um professor, mas de um ator para um drama ficcional político.
Arday era uma fraude com uma biografia falsa. Dizia que era autista, não falava até os 11 anos, não lia até os 18. Disse que correu 30 maratonas em 35 dias, entre outras histórias dignas do Barão de Münchhausen.
Colegas de infância contaram que Arday falava normalmente. Médicos ouvidos pela imprensa britânica foram claros: criança autista que não fala aos 11, analfabeta aos 18, não tem como ser uma estrela acadêmica com doutorado aos 30.
Ele se dizia também professor visitante na Universidade Estadual de Ohio. A faculdade americana respondeu que jamais teve funcionário com esse nome.
Uma análise independente, encomendada pelo jornal britânico The Telegraph, encontrou 188 trechos idênticos ou quase idênticos aos de um trabalho defendido em 2009 por Paula Zwozdiak-Myers, na Universidade Brunel. Plágio incontestável.
A BBC produziu uma reportagem laudatória sem checagem alguma sobre ele. No vídeo, a diretora da faculdade de educação de Cambridge, Hilary Cremin, recebe Arday com a expressão de quem encontrou o Santo Graal. "Temos tanta sorte de ter você. Você é o melhor do mundo naquilo que pesquisa", diz ela.
O linguista americano John McWhorter, que é negro, apontou a natureza daquele gesto. Deslumbramento diante de um colega negro não é respeito profissional. É a condescendência paternalista.
Dave Harris, professor emérito da Universidade Plymouth Marjon, escreveu a Arday em 2023 sobre semelhanças perturbadoras entre um artigo dele e um estudo anterior de um epidemiologista.
"Em vez de gastar seu tempo tentando desmontar o racismo e o capacitismo, você gastou horas vasculhando meu trabalho em busca de erros", respondeu Arday. "Qualquer coisa a mais vinda de você será considerada bullying e assédio."
Harris avisou também as universidades e ficou três anos falando sozinho.
Arday jogava pesado, usava seu dinheiro para assediar judicialmente quem o questionava, não era um floquinho de neve indefeso.
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