A morte de Getúlio Vargas e a fúria popular contra os golpistas
Há 72 anos, em 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas se suicidava com um tiro no peito. Terminava assim a trajetória de um dos personagens mais influentes da história política do Brasil, responsável pelas principais reformas modernizantes do século 20.
Alçado ao poder após a Revolução de 1930, Vargas impulsionou a industrialização, instituiu o salário mínimo e expandiu as leis trabalhistas, conquistando forte apoio entre a classe trabalhadora, mas atraindo também a ferrenha oposição dos setores conservadores e de parte das Forças Armadas.
Acossado por uma conspiração golpista, o presidente preferiu tirar a própria vida a aceitar sua deposição. A notícia de sua morte paralisou o Brasil e desencadeou uma vigorosa onda de fúria popular. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas por todo o país, atacando e incendiando as sedes dos jornais e dos partidos de oposição.
Considerado um dos mais influentes estadistas brasileiros do século 20, Getúlio Vargas foi a figura dominante da política nacional por quase três décadas. Tornou-se chefe de Estado em 1930, após liderar o movimento armado que encerrou o arranjo institucional da República Velha e o domínio das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais sobre a chamada “política do café com leite”.
Seu governo, fortemente centralizado, foi caracterizado pela ambivalência de seu legado. Vargas estimulou o surto industrial e o processo de modernização da estrutura produtiva brasileira, adequando-a ao cenário de crise gerado após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York.
Ao mesmo tempo, inspirado pelo fascismo, governou de forma autoritária e reprimiu brutalmente seus opositores — sobretudo os comunistas, criminalizados e perseguidos após o Levante de 1935. Tornou-se ditador em 1937, após desencadear o golpe que instaurou o Estado Novo. Também transformou o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em um aparelho repressivo, incumbido de perseguir, torturar e assassinar adversários políticos.
Malgrado seu autoritarismo, Vargas encampou uma série de inovações que lhe granjearam enorme apoio popular, sobretudo entre o proletariado urbano emergente. O bom desempenho econômico do Brasil refletiu no aumento da renda média dos trabalhadores, que ao mesmo tempo se sentiram contemplados pela nova legislação sindical — ignorando sua inspiração no corporativismo e na cooptação das organizações sindicais pela estrutura governamental.
Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, responsável por uma série de medidas significativas: criação dos institutos de aposentadoria, instituição da assistência médica e hospitalar para os trabalhadores, regulamentação dos contratos de trabalho, fixação dos horários de serviço, garantia de estabilidade após dez anos de emprego, obrigatoriedade das férias remuneradas.
Essas transformações sociais, insufladas pela propaganda do regime e não contestadas em função da censura da oposição, levaram ao processo de mitificação da figura de Vargas, cujo paroxismo se reflete na alcunha de “Pai dos Pobres”, pela qual se tornou conhecido.
Assim, quando Vargas foi afastado do governo em 1945, sua popularidade se manteve intacta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.