Navio cargueiro sul-coreano testa rota do Ártico em meio à guerra no Oriente Médio
O grupo Panstar, empresa que opera a iniciativa, detalhou que o porta-contêineres “Panstar Acro” partiu do porto de Busan no sábado (22/08), destacando que a operação tem como objetivo avaliar se o trajeto, aberto pelo derretimento do gelo marinho, pode se consolidar como uma nova alternativa para a rede logística marítima centrada no Canal de Suez, que conecta Ásia e Europa.
De acordo com o Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul, o Panstar Acro transporta produtos químicos, carros e peças automotivas, tendo como destino Felixstowe, no Reino Unido; Roterdã, na Holanda; e Gdansk, na Polônia. O seu retorno à cidade portuária de Busan está previsto para 5 de outubro, acrescenta a pasta.
O projeto-piloto liderado pelo governo na rota ártica envolve a Corporação da Coreia de Negócios dos Oceanos (KOBC, na sigla em inglês) e a Associação da Coreia de Navegação. As autoridades sul-coreanas estimam que, com o uso desta rota, a distância de operação pode ser reduzida em cerca de 35% e o período operacional, em cerca de 10 dias, quando comparada com a rota existente do Canal de Suez. A iniciativa também estabeleceu a meta de reduzir em cerca de 30% os custos de combustível durante a viagem.
No entanto, há um contraponto: a questão ambiental. O oceano glacial já é ameaçado pelas mudanças climáticas, e ambientalistas citados pela imprensa local levantam preocupações de que as travessias acelerem o degelo do Ártico. É por esse motivo que diversas empresas ocidentais, como a francesa CMA CGM, a suíça MSC e a alemã Hapag-Lloyd, evitam o uso da rota.
Na última quinta-feira (20/08), o prefeito de Busan, Jeon Jae So, assinou um memorando de entendimento com o grupo Panstar, dando aval para que as companhias privadas de navegação realizem, a partir da cidade portuária, operações marítimas nas rotas árticas.
“Este acordo comercial servirá como uma base importante para que Busan, fronteira da Ásia, se torne a cidade principal para a rota marítima do Ártico, o elo mais rápido entre Europa e Ásia”, declarou Jae So.
De acordo com o presidente do grupo Panstar, Kim Hyun Gyeom, o objetivo a longo prazo é conectar a rede de transporte marítimo Coreia-China-Japão à rota ártica, formalizando, assim, o trajeto Ásia-Europa. “Com base em nossa experiência operacional e dados, vamos lançar as bases para estabelecer serviços regulares na rota ártica Ásia-Europa no futuro”, disse.
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