‘Brasil não pode aceitar interferências de outros países em assuntos internos’, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mantém uma relação “civilizada” e “respeitosa” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas criticou medidas adotadas pelo governo estadunidense e rejeitou qualquer ingerência externa nos assuntos brasileiros. “O Brasil não pode aceitar interferências de outros países em seus assuntos internos”, declarou à jornalista Mariana Godoy, durante entrevista à TV Record , neste domingo (23/08), em Brasília.
Na entrevista, Lula fez uma distinção entre sua relação com Trump e a atuação de integrantes do governo norte-americano. “Eu não sei se é o governo norte-americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política que a sua assessoria”, afirmou.
Lula disse ter contestado diretamente com Trump os argumentos utilizados para justificar as medidas contra o Brasil. “Eu disse ao presidente Trump que as bases sobre as quais eles tomaram as medidas que tomaram são mentirosas”, relatou.
“Nós temos os menores índices de desmatamento da história do Brasil e eu nasci na minha vida política combatendo o trabalho escravo, portanto eu não posso admitir que alguém diga que vai punir o Brasil por conta do trabalho escravo. Eu não posso fiscalizar os outros países”, acrescentou, ao afirmar que, no fundo, Trump pretendia atingir a China.
‘Brasil não pode aceitar interferências de outros países em assuntos internos’, diz Lula © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar das divergências, Lula disse que o Brasil está disposto a ampliar a cooperação com Washington no combate ao crime organizado. “Eu disse para o Trump: o Brasil está disposto a trabalhar junto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Aliás, eu entreguei um documento tudo escrito para ele”, explicou.
O presidente também afirmou ter apresentado a Trump uma proposta de cooperação na exploração de minerais críticos e terras raras, mas ressaltou que o Brasil pretende agregar valor aos recursos naturais em território nacional, em vez de se limitar à exportação de matérias-primas.
“Disse para o Trump que nós estamos dispostos a trabalhar com ele na questão da exploração de matérias críticas e terras raras. Só que, desta vez, a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro”, afirmou.
Segundo Lula, a estratégia passa pela utilização desses recursos para desenvolver a indústria nacional. “Para produzir celular, para produzir bateria elétrica, para produzir chips. Nós não queremos ser exportador de matéria”, completou. “E eu disse para ele que, além disso, a gente quer ter um comércio muito, muito sério com os Estados Unidos.”
A relação bilateral não foi o único tema internacional abordado. Lula disse ter discutido com Trump os conflitos armados e as tensões econômicas internacionais. “Olha, eu conversei sobre mais assuntos com o Trump.
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