As mudanças no FGC defendidas pelo presidente do BC após o caso Master
O presidente do Banco Central , Gabriel Galípolo , defendeu mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reduzir incentivos à captação excessiva de recursos garantidos e aumentar a percepção de risco dos investidores.
As falas ocorreram após o episódio envolvendo o Banco Master, que gerou um rombo de mais de 50 bilhões de reais ao FGC.
“O FGC é um caso emblemático de algo que é um instrumento que dá conta de ampliar a competitividade e a estabilidade do sistema”, afirmou Galípolo durante a 27ª conferência do Santander Brasil.
Para o presidente do BC, o desafio é preservar a capacidade do fundo de proteger o sistema sem permitir que a garantia seja utilizada como uma vantagem competitiva para modelos de negócios excessivamente arriscados.
Galípolo destacou três medidas adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A primeira estabelece uma contribuição adicional para instituições cuja captação garantida pelo FGC supera 60%.
A segunda cria uma barreira a partir de 80% de captação nessa modalidade, exigindo que a instituição mantenha recursos em títulos públicos federais.
A terceira restringe os chamados ativos de referência relacionados a captações com garantia.
As regras foram formalizadas pelo CMN em abril e entraram em vigor em junho.
A resolução prevê contribuição adicional quando o valor de referência da instituição superar quatro vezes o patrimônio líquido ajustado e 60% das captações de referência.
Também determina a manutenção de títulos públicos federais em determinadas situações, inclusive quando a captação ultrapassar 80% dos parâmetros estabelecidos.
Continua após a publicidade Na avaliação de Galípolo, porém, ainda há uma agenda a ser enfrentada.
Ele citou a necessidade de alinhar a remuneração e os interesses de distribuidores e clientes e, principalmente, de melhorar a percepção de risco de quem investe em produtos cobertos pelo FGC.
“Muita gente às vezes compra o CDB sem analisar o risco que está ali por trás, porque tem o sentimento de que tem uma garantia do FGC”, disse.
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