A cultura que eu construí foi a mesma que me impediu de crescer
Cultura empresarial: fundador da KotaKi relata por que revisar valores pode ser essencial para o crescimento.
Existe um tipo de orgulho que só quem fundou uma empresa entende. Não é o orgulho do resultado — é o da cultura. De ter criado, do zero, um jeito de trabalhar que as pessoas abraçam como se fosse delas. Porque é delas.
Na KotaKi, construí isso com muito cuidado. Uma startup B2B que conecta indústria e varejo no Brasil, fundada em 2017, com cinco rodadas de investimento e 14 mil varejistas conectados. Mas antes de qualquer número, havia um ambiente. Horizontal, acelerado, com senso de missão genuíno. As pessoas não trabalhavam por salário — trabalhavam porque acreditavam que estávamos mudando algo real no mercado.
Eu acreditava nisso também. E foi exatamente esse orgulho que quase me cegou.
Quando você cria uma cultura intencionalmente, ela funciona como um sistema imunológico. Ela rejeita o que não pertence, protege o que é seu, cria coesão. No começo, isso é um superpoder. O problema é que sistemas imunológicos também podem atacar o próprio organismo.
Em algum momento da jornada da KotaKi — não foi um dia específico, foi um acúmulo — percebi que a cultura que eu havia construído estava começando a proteger coisas que não deveriam ser protegidas.
Protegíamos a informalidade, mas às vezes essa informalidade virava desorganização. Protegíamos a horizontalidade, mas às vezes isso impedia que decisões difíceis fossem tomadas com a velocidade necessária. E, pior: protegíamos pessoas que já não estavam entregando, porque fazer o contrário seria "trair" o que éramos. A cultura, que deveria ser uma ferramenta de crescimento, estava virando uma jaula.
A decisão mais difícil que eu tive que tomar como fundador não foi pivotar o produto, nem cortar custos. Foi quebrar parte da cultura que eu mesmo havia criado. E fazer isso sabendo que metade das pessoas ia me olhar como se eu estivesse traindo tudo aquilo que construímos juntos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.