Masp vai do saber indígena à utopia moderna em mostra que pensa a América Latina
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
É impossível atribuir à América Latina uma única definição. Composta por 20 países, a região engloba diversas culturas e cicatrizes, herança das nações que tentaram impor seus códigos sobre povos latinos. Daí surge a maior exposição que o Masp apresenta este ano, com quase 200 obras divididas entre cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi.
Independentemente da ordem seguida, a impressão é de se atravessar diferentes planos de existência, que vão da cosmologia de povos originários a projetos de modernidade que serviram à colonização.
No núcleo mais próximo ao chão, os trabalhos exploram tradições indígenas e reveem o elo entre homem e natureza. É o caso da pintura de Beatriz González , em que rotas migratórias transformam um território verde, dos vasos do peruano Manuel Chajavay, pendurados no teto como estrelas, e da árvore genealógica do salvadorenho Guadalupe Maravilla, um tipo de serpente monumental feita de palha e outros materiais.
Andares acima, a tridimensionalidade de peças como a última dá lugar a quadros planos, com arranha-céus, fábricas e outras estruturas excludentes de cidades como São Paulo , Buenos Aires e a Cidade do México —essa, aliás, toma uma tela de Juan O’Gorman, que sobrepõe um mapa ancestral e uma visão panorâmica de prédios e ruas e põe em rota de colisão as duas organizações.
O uniforme de Damián Ortega , feito de sacos de cimento, e fotos de Marcelo Cidade , que inserem "glitchs", isto é, falhas eletrônicas, sobre a paisagem de favelas, são outros trabalhos que denunciam mecanismos de controle. Também se destaca a instalação da mexicana Mariana Castillo Deball, que desenhou São Paulo no chão com traços pré-coloniais.
Ao redor, plantas da cidade de Brasília e projetos modernistas de Lúcio Costa e de outros arquitetos criam tensões entre as formas de se pensar o espaço urbano. O choque entre esse segmento e o da cosmologia indígena evidencia inteligências além das corporativistas, por vezes taxadas de primitivas, diz a curadora Amanda Carneiro .
"A ideia da mostra é apresentar a América Latina como uma composição, um rizoma de vários grupos que criaram suas estratégias para também ser felizes. Não queremos que ninguém saia daqui devastado". Ela cita o título de outra seção, "Estamos em Salsa", que empresta a dança de raízes cubanas e caribenhas a obras que recuperam iconografias culturais.
A cama construída pelo porto-riquenho Pepón Osório é um depósito desses elementos, com bonequinhas, cabeças de plástico, adesivos de borboletas, estátuas fálicas e até uma cobra artificial espalhados pela estrutura. Junto a quadros e fotos de outros autores, que retratam a vida noturna em países latinos, a escultura atua como um ponto de encontro entre a privacidade e símbolos públicos.
No mesmo andar, Antonio Caro e os brasileiros Cildo Meireles e Rivane Neuenschwander reveem signos como a Coca-Cola , usurpando, respectivamente, a tipografia da marca, a garrafa do produto e o seu próprio título.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.