MPs apuram assédio de Rico Melquiades a trabalhadoras: 'Não quero petista'
Siga UOL Notícias no Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O MPE (Ministério Público Eleitoral) de Alagoas abriu um procedimento para investigar o influenciador Rico Melquíades por causa de um vídeo publicado no último sábado (12) em que ele constrange uma funcionária, dizendo que iria demiti-la após ela afirmar que vai votar no PT. "Não quero petista aqui", falou ele.
Em nota, o MPE afirmou que identificou "prática de coação eleitoral em vídeo publicado nas redes sociais" e informou que também vai enviar o caso à PF (Polícia Federal) para apuração do caso na esfera criminal. Rico tem 12,4 milhões de seguidores apenas no Instagram.
O MPT (Ministério Público do Trabalho) disse à coluna que também abriu um inquérito civil para investigar e "adotar as medidas administrativas e judiciais cabíveis à conduta de assédio moral no ambiente de trabalho".
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No vídeo, intitulado "minha casa, minhas regras", Rico aparece com quatro funcionárias em sua casa e as questiona dizendo que, se ele paga o salário, decide quem trabalha, alegando que não quer petista em sua casa.
Ao perguntar a uma das trabalhadoras se ela é petista, e ela sinalizar positivamente, ele diz: "Tá demitida! Traga sua carteira".
O UOL enviou mensagem para Rico e aguarda posicionamento. Nas redes sociais, até as 9h30 de hoje, ele não havia comentado sobre as investigações.
O caso, diz o MPE, se enquadra no artigo 301 do Código Eleitoral, que classifica como crime "usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido, ainda que a finalidade pretendida não seja alcançada."
"É inaceitável que alguém se valha da posição de empregador, do poder econômico e da dependência decorrente da relação de trabalho para constranger trabalhadores em razão de suas escolhas políticas. Emprego e salário não podem ser usados como instrumentos para impor, direcionar ou tentar interferir no voto de ninguém. Uma conduta dessa natureza viola a liberdade de escolha do eleitor e exige uma resposta firme do MPE", diz, em nota, Marcial Duarte Coêlho, procurador regional eleitoral de Alagoas.
Apesar do clima de descontração do vídeo, o procurador diz que, mesmo que tenha se tratado de uma "brincadeira", não se afasta a gravidade e o possível crime visto ali.
Não se trata de brincadeira quando existe uma relação de poder e se coloca o emprego de uma pessoa em jogo por causa de sua posição política. A liberdade do voto precisa ser respeitada integralmente, sobretudo quando, de um lado, está quem paga o salário e, do outro, trabalhadores submetidos a essa relação de dependência. Esse tipo de constrangimento é intolerável. Marcial Duarte Coêlho, procurador regional eleitoral de Alagoas
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