Os vencedores e os perdedores da economia dos medicamentos para emagrecer
Londres e Nova York | Financial Times Clientes de tamanhos grandes e altos são a base do negócio de ternos sob medida de Alan Horowitz há 25 anos. Mas, à medida que os medicamentos para emagrecer se espalharam pelos Estados Unidos — tornando-se tão comuns que um em cada dez americanos já os utiliza —, ele perdeu clientes.
Agora, a empresa familiar de quinta geração, a Alan David Custom, também sofre com seu compromisso de oferecer ajustes gratuitos por toda a vida.
"As oscilações bruscas de peso [...] se tornaram um pesadelo para a alfaiataria", diz Horowitz, que estima que os medicamentos reduziram sua receita em cerca de 10% a 12%.
Desde que o Wegovy foi aprovado pela FDA para o controle crônico do peso, em 2021, os medicamentos conhecidos como GLP-1 dispararam em popularidade.
Em junho, cerca de 38 milhões de pessoas nos Estados Unidos os utilizavam ativamente, segundo a Gallup. No Reino Unido, a PwC estima que aproximadamente 5% dos adultos tomam esses medicamentos.
Essas pessoas estão mudando o que comem, fazem e compram. Para alguns setores, como academias e suplementos de saúde , os GLP-1 estão atraindo novos clientes.
Outros precisam repensar seus fundamentos: entre os usuários, a moderação se tornou um argumento de venda, e empresas tentam proteger suas margens oferecendo quantidades menores pelo mesmo preço —ou até por um preço maior.
Mais de 200 companhias de capital aberto de fora do setor de saúde mencionaram os medicamentos emagrecedores em teleconferências de resultados nos três meses encerrados em setembro, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.
Algumas, como Pepsi, Domino's Pizza e Texas Roadhouse, citam o impacto sobre a alimentação como possível risco.
A expectativa é que o uso continue crescendo, com comprimidos, queda nos custos e versões genéricas quando as patentes da semaglutida expirarem, no início dos anos 2030. Segundo analistas, os medicamentos fazem parte de uma mudança mais ampla e aparentemente permanente no comportamento do consumidor, cada vez mais focado na saúde.
Para algumas marcas e setores, será uma questão de se adaptar ou desaparecer. Outros já se beneficiam da chegada de novos clientes.
Houve um aumento de 36% na frequência de exercícios cardiovasculares entre usuários de GLP-1 nos EUA, segundo relatório da PwC.
Alex Wood, presidente-executivo da PureGym, diz que sua equipe "passou muito tempo" preocupada com a possibilidade de os medicamentos levarem as pessoas a deixar de frequentar as academias. Agora, está otimista: como os usuários podem perder rapidamente massa muscular e densidade óssea, os tratamentos os incentivam a recorrer à musculação.
Uma pesquisa da PwC no Reino Unido constatou que 27% dos usuários pretendiam aumentar os gastos com atividades físicas, e apenas 5% planejavam reduzi-los.
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