França toma lugar da Itália como maior risco para títulos na Europa
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Os custos de financiamento de Paris superaram os de Roma durante a maior parte do inverno, em meio a preocupações com o Orçamento e as eleições do próximo ano
A França está substituindo a Itália como principal foco das preocupações do mercado com a sustentabilidade da dívida europeia, segundo investidores. Paris enfrenta difíceis negociações orçamentárias no próximo mês e se aproxima de uma eleição presidencial no próximo ano, em um cenário de avanço do apoio a partidos de extrema esquerda e extrema direita.
O rendimento do título de referência de dez anos do governo italiano, que durante anos foi negociado bem acima do francês, ficou abaixo dele durante a maior parte deste período, enquanto investidores passaram a exigir uma compensação maior para comprar dívida francesa. Os rendimentos caem quando os preços dos títulos sobem.
Investidores afirmam que essa inversão da tendência histórica representa uma mudança significativa na forma como o mercado avalia os riscos relativos dos dois países.
"Se você perguntar a qualquer pessoa nos mercados qual é o elo mais fraco da Europa , a maioria apontará para a França", disse Rohan Khanna, chefe de estratégia de juros europeus do Barclays. "A Itália conseguiu passar a bola para a França."
A França é uma "tempestade perfeita" para investidores em títulos, dada a combinação de "risco de crescimento, risco político e risco fiscal", acrescentou Khanna.
A Itália —um dos países endividados do grupo chamado de "Piigs" (sigla econômica com tom pejorativo que agrupa Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) durante a crise da dívida da zona do euro, há mais de uma década— há muito é considerada um dos tomadores mais arriscados da Europa, com uma dívida pública entre as maiores do continente. A França, por outro lado, geralmente era vista como uma aposta mais segura.
Mas, com os dois países diante de difíceis negociações orçamentárias nesta primavera e eleições no próximo ano, a atenção dos investidores voltou-se para a deterioração da situação fiscal francesa e para a crescente possibilidade de vitória de um candidato menos favorável ao mercado na França.
Na Itália, um período de contenção fiscal e uma sequência incomumente longa de estabilidade política conquistaram a confiança de um número crescente de investidores globais.
"A Itália é agora o exemplo a ser seguido entre os mercados de títulos do G7", disse Adam Posen, presidente do Peterson Institute, think tank sediado em Washington, e ex-diretor de política monetária do Banco da Inglaterra.
Enquanto a relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto) da Itália caiu de 154% em 2020 para 139% neste ano, a da França subiu de 114% para 117%, segundo dados do BCE (Banco Central Europeu).
A Itália também registra superávit fiscal primário —quando a arrecadação de impostos supera os gastos antes do pagamento de juros da dívida—, enquanto o déficit orçamentário da França aumentou para mais de 5% do PIB.
"Costumava ser a Itália o maior risco para a Europa, o país com o qual todos realmente se preocupavam...
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.