Juros nos EUA batem nível de 2007 e pressionam dívida brasileira
Os juros dos títulos de 30 anos do Tesouro americano chegaram a 5,3% nesta segunda-feira, maior nível desde 2007.
O movimento chama atenção para um problema que vai além dos Estados Unidos: quando o ativo considerado referência mundial passa a oferecer retorno elevado, países emergentes precisam pagar ainda mais para convencer investidores a financiar suas dívidas.
No Brasil, o problema encontra uma dívida pública federal que já alcançou 9,27 trilhões de reais.
Em junho, o custo médio das novas emissões do Tesouro estava em 14,2% ao ano e quase metade da dívida, 49,3%, estava vinculada à Selic, maior proporção em cerca de 20 anos.
Títulos brasileiros indexados à inflação chegaram recentemente a oferecer juros reais próximos de 8% ao ano.
O tamanho do desafio apareceu também neste mês.
Em 15 de agosto venceram quase 260 bilhões de reais em títulos Tesouro IPCA+ 2026.
Considerando outros pagamentos de títulos indexados à inflação programados para a mesma data, o fluxo chegou a aproximadamente 289 bilhões de reais.
O vencimento não significa que o governo precise levantar todo esse dinheiro imediatamente, mas ilustra a dimensão das operações de refinanciamento realizadas continuamente pelo Tesouro.
O economista Samuel Pessôa, colunista da Folha de São Paulo, vem alertando para a trajetória fiscal brasileira e já afirmou que o próximo governo poderá enfrentar dificuldades em 2027 e 2028 caso o desequilíbrio continue.
O risco é que uma combinação de dívida crescente e juros elevados obrigue o Tesouro a oferecer remunerações cada vez maiores para continuar rolando seus compromissos.
Continua após a publicidade Com os juros de longo prazo americanos nos maiores níveis em quase duas décadas, esse processo fica mais difícil.
Quanto maior o retorno oferecido pelos títulos dos EUA, maior tende a ser o prêmio exigido para carregar dívida brasileira.
Para um país que já oferece algumas das maiores taxas reais entre as grandes economias, a conta da rolagem pode ficar ainda mais pesada.
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