Possíveis medidas do BC contra endividamento elevam incertezas para bancos, diz UBS
As declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a possibilidade de adoção de novas medidas para conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras adicionam um elemento de incerteza ao cenário para o setor bancário, na avaliação do UBS.
Embora o mandatário tenha indicado que qualquer iniciativa nesse sentido seria implementada de forma gradual, investidores passaram a monitorar com mais atenção os possíveis impactos sobre a oferta de crédito no país.
Leia também Bancos brasileiros pretendem investir R$ 3 bi em IA e análise de dados em 2026 Cifra faz parte de um total R$ 50 bilhões em investimento em tecnologia previsto pelo setor no ano Em fala no Febraban Tech, na segunda (24), Galípolo afirmou que o Banco Central está analisando experiências internacionais e estudando ferramentas para evitar uma expansão mais significativa da alavancagem das famílias.
O presidente da autoridade monetária ressaltou que eventuais mudanças seriam conduzidas de maneira suave e progressiva.
O UBS destaca, contudo, que ainda não está claro quais mecanismos poderão ser adotados pelo BC.
O banco lembra que, apesar do elevado nível de endividamento das famílias brasileiras, o crescimento do crédito para pessoas físicas não é atualmente considerado excessivamente acelerado, avançando cerca de 11% na comparação anual.
Leia mais: Bancos defendem que Brasil faça lição de casa para enfrentar mundo mais complexo Entre os instrumentos utilizados historicamente pelo Banco Central para influenciar a dinâmica do crédito está a alteração dos depósitos compulsórios.
Ao elevar o percentual de recursos que os bancos precisam manter retidos junto à autoridade monetária, o BC reduz a liquidez disponível para novas operações de crédito.
Segundo o UBS, os níveis atuais de compulsório permanecem próximos das mínimas históricas e relativamente estáveis desde o período da pandemia.
Outra alternativa seria aumentar os fatores de ponderação de risco para determinadas modalidades de empréstimos.
Em 2011, o Banco Central já elevou as exigências de capital para operações de maior prazo, incluindo crédito consignado, financiamento de veículos e empréstimos ao consumidor.
A medida aumentou o custo dessas operações para os bancos e ajudou a moderar o ritmo de crescimento dessas carteiras.
“A exigência mais elevada de capital desestimulou os bancos a concederem esses empréstimos (o financiamento de veículos encerrou 2011 com crescimento anual de 20%, enquanto os empréstimos consignados registraram expansão de 25%)”, afirma o UBS.
Saiba mais: Não dá para comemorar expansão de crédito e reclamar de endividamento, diz Galípolo O relatório também lembra que o governo já utilizou instrumentos tributários para frear a expansão do crédito.
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