Saudade de um país quebrado: tabloide neoliberal não se cansa de louvar Malan e Armínio
O Estadão insiste, em editorial na terça-feira 25, em louvar as figuras de Pedro Malan e Armínio Fraga, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central nos anos em que a Presidência da República do Brasil foi exercida pelo “Príncipe dos Sociólogos”, Fernando Henrique Cardoso, promovido a “Rei dos Neoliberais” em razão de seu governo.
O ex-jornalão do Limão, ora tabloide, reafirma sua devoção aos economistas fernandinos, e ironiza o fato de o atual titular da Fazenda, Dario Durigan, procurá-los para uma conversa sobre a situação fiscal.
Gesto de cinismo de um governo perdulário, entende o periódico udenista.
Explicar a essa turma que existem coisas mais importantes na economia de um país do que o rigor fiscal, a despeito de certas regras que merecem ser cumpridas, é dar murros em ponta de faca.
Necessário, contudo, é indagar por que editorialistas adoram tanto certos economistas, os quais deram com os burros n’água, e odeiam outros, cuja atuação resultou em melhora da vida da população.
Afinal, para que serve a economia se não para melhorar a vida das pessoas? A predominância de neoliberais na imprensa brasileira é notória, mas o time não deveria ignorar dados históricos.
É preciso salientar que quando se recorre ao FMI por causa de forte fuga de capitais e crise cambial, tem-se um país quebrado.
Foi assim com FHC, Malan e Armínio.
O Estadão mantém-se cego perante a História e recomenda aos seus oráculos: “Malan e Arminio poderiam ensinar a Durigan que os juros são altos porque o mercado cobra cada vez mais caro para financiar um governo que sistematicamente gasta mais do que arrecada e não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal”.
Quando FHC assumiu a Presidência da República, em 1995, a dívida pública era de R$ 153,4 bilhões.
Em abril de 2002, no fim do seu governo, era de R$ 684,6 bilhões – um aumento de 346%.
Que equilíbrio espetacular! Durante os governos do “Rei dos Neoliberais”, sob assessoria dos oráculos Malan e Armínio, a média de crescimento do PIB foi de 2%.
A falta de investimento em infraestrutura acarretou um monumental apagão elétrico.
Para compensar os prejuízos às empresas, o governo baixou uma Medida Provisória transferindo a conta do racionamento de energia aos consumidores.
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