Churrasco de igreja: conheça a receita tradicional que faz sucesso no Sul do Brasil
Tradicional nos pratos dos sulistas desde meados do século 19, o “churrasco de igreja” nasceu nas quermesses promovidas por paróquias.
A receita, genuinamente alemã, usa uma técnica de conservação de carne originária da Renânia, região do oeste da Alemanha: deixar a peça submersa em um tempero à base de condimentos, ervas aromáticas e especiarias, capaz de garantir suculência ao alimento mesmo no dia seguinte ao preparo.
Essa técnica remete ao sauerbraten , tradicional assado alemão de carne fortemente temperada, usado no país de origem para conservar o alimento antes da existência de refrigeradores — geralmente preparado com vinho tinto, vinagre de maçã, ou a combinação dos dois.
Ao chegar ao Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a receita foi adaptada pelos imigrantes: o vinho e o vinagre deram lugar ao suco de limão, fruta abundante na região.
A forma de preparo também mudou: na Alemanha não era costume grelhar as carnes como se passou a fazer no Sul do Brasil.
Cafeterias deixam de ser espaços de consumo rápido e ocupam o chamado “terceiro lugar” Como as famílias imigrantes eram numerosas e o acesso à carne era escasso, o churrasco era reservado para ocasiões especiais — casamentos, aniversários, bodas — e servido principalmente em quermesses, que arrecadavam fundos para obras sociais e expansão das paróquias.
Assado nessas ocasiões, o corte acabou batizado de “filé de igreja”, nome que carrega até hoje.
O corte que reúne três texturas em uma peça só Segundo o chef Caio Fontenelle, à frente do Figueira, em Blumenau (SC), o filé duplo é um dos cortes mais característicos da culinária sulista e também um dos mais generosos: “O filé duplo é um corte bovino com osso que reúne, em uma única peça, o contrafilé, o filé mignon e uma parte da fraldinha.
O osso da espinha dorsal fica no meio, lembrando uma chuleta larga, e essa combinação resulta em texturas e sabores diferentes em cada fatia, o que faz dele um dos cortes mais apreciados nos churrascos tradicionais do Sul do país”, explica.
O preparo tradicional segue um método simples, mas que exige tempo: a carne é marinada por 24h em suco de limão, cebola em rodelas, sal e água suficiente para mantê-la submersa, e depois assada dos dois lados em brasa forte.
Nas festas de igreja, é comum servir o churrasco acompanhado da própria cebola usada na marinada e de pão francês, às vezes também com maionese de batata, pepino em conserva e salada de tomate.
“O segredo está na combinação entre o osso, a capa de gordura e a variedade de fibras do corte.
Isso garante a suculência mesmo em bifes grossos e no calor vindo direto da brasa”, complementa o chef.
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