Comitê propõe freio a algoritmos e responsabilidade de plataformas
O CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) divulgou 46 diretrizes para orientar o debate e a regulação de redes sociais e inteligência artificial no Brasil.
As propostas defendem a responsabilização das plataformas por conteúdos de usuários, mais transparência sobre algoritmos e limites para o uso de IA. O documento reúne seis eixos: soberania e jurisdição nacional, transparência, economia e concorrência, direitos humanos, prevenção e responsabilidade, além de governança e regulação assimétrica.
O comitê propõe que plataformas estrangeiras tenham representação legal ou escritório no Brasil e permitam acesso a dados pessoais mediante ordem judicial ou administrativa. As diretrizes também preveem o cumprimento da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e controles brasileiros sobre dados estratégicos ou sensíveis.
Henrique Faulhaber, conselheiro e coordenador do grupo sobre regulação de plataformas, afirma que as diretrizes inserem o Brasil no debate internacional. Ele cita Estados Unidos, Austrália e União Europeia entre os países e blocos que discutem a responsabilidade das redes sociais.
O acesso de pesquisadores credenciados às bases de dados das plataformas aparece como uma das propostas de transparência. Faulhaber define o funcionamento das redes como uma "caixa preta".
As diretrizes sugerem rotular conteúdos criados por inteligência artificial e esclarecer como conteúdos jornalísticos são distribuídos. O documento também propõe estabelecer limites para que uma plataforma priorize ferramentas próprias em detrimento de concorrentes.
O comitê defende interoperabilidade entre grandes redes sociais, acesso a dados para estimular a concorrência e incentivo a modelos colaborativos e protocolos abertos. As medidas abordam disputas entre plataformas de aplicativos e desenvolvedores que criticam a priorização de serviços das grandes empresas de tecnologia.
Auditorias devem avaliar possíveis discriminações causadas por algoritmos, de acordo com as recomendações. O texto também prevê ações contra discurso de ódio e violações de direitos fundamentais.
Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, defende revisão humana na moderação de conteúdo. "Essa equipe deve compreender o nosso idioma e o contexto social, político e cultural do Brasil. Além disso, recomendamos que ela seja diversa, com pessoas de diferentes etnias e gêneros", disse.
Conteúdos desinformativos de alto risco devem perder a monetização e passar por checagem de fatos, na avaliação do comitê. A recomendação também prevê priorizar denúncias feitas por usuários considerados sinalizadores confiáveis.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.