Nordeste sofreu 14,7 milhões de menções ofensivas após vitória de Lula
Os moradores do Nordeste voltaram a ser alvo de uma onda de ataques e xingamentos após a reeleição do presidente Lula (PT) no último domingo. Um novo monitoramento da Ativaweb DataLab aponta que foram 14,7 milhões ofensivas da noite do domingo até as 16h desta quarta-feira (28).
Segundo o levantamento, o Nordeste foi assunto em 18.567.871 menções, sendo 79,3% em tom crítico e 20,7% em defesa da região onde o presidente teve sua maior votação.
"O índice indica que a conversa não foi um debate equilibrado entre visões, e sim uma maré quase unidirecional, na qual a defesa da região ficou em posição majoritária", afirma o estudo.
A crítica não ficou no campo do debate político. Ela desencadeou um vocabulário ofensivo que atinge o povo nordestino como grupo: palavras que questionam sua inteligência, associam a região à miséria e à dependência, comparam pessoas a animais e a doenças e chegam a defender a separação do território do restante do país. Esse discurso tem alcance nacional. A análise abrangeu o Brasil inteiro, e os ataques partem de usuários de todas as regiões do país, com forte presença de perfis do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, que se dirigem ao Nordeste como se a região fosse um corpo estranho ao país. Trecho do estudo
O número de ataques no segundo turno representa uma queda de 43% em comparação ao primeiro turno, quando foram capturadas 32,8 menções, sendo 27 milhões (82% do total) de ataques nas 72 horas após a votação do dia 4 de outubro.
"Somados, os dois períodos reúnem 51.446.082 menções sobre o voto nordestino, das quais 41.750.211 têm tom crítico à região."
O monitoramento foi feito com menções nas redes Facebook, Instagram, TikTok e X, além de comentários no YouTube e no Kwai. Ele abrangeu postagens, comentários, links e compartilhamentos que relacionavam o Nordeste, os nordestinos ou os estados da região ao resultado de cada turno.
"A hostilidade recuou apenas 2,9 pontos percentuais [em comparação ao primeiro turno], e os ataques seguem em posição claramente minoritária. Quando o tom quase não muda entre um turno e outro, não estamos diante de uma reação. Estamos diante de uma convicção", afirma Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.
A predominância masculina acompanha um padrão já observado em outros estudos sobre discurso político e agressividade nas redes, nos quais homens tendem a ser maioria entre os autores de manifestações de confronto. No caso do Nordeste, o dado ajuda a qualificar quem sustenta a conversa e reforça que o ataque à região tem um perfil de autoria bem definido. Trecho do estudo
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.