Com Meta questionada, Câmara quer regras para campanha eleitoral nas redes
A ideia da criação de um grupo de trabalho foi tomada durante encontro entre Motta e líderes de partidos como o PSD, PSB, Republicanos e União Brasil. Nos bastidores, participantes do encontro relataram que os presidentes Antônio Rueda, do União, e João Campos, do PSB, foram alguns dos defensores da medida.
Segundo Motta, a ideia é que uma proposta seja apresentada em duas semanas e, se possível, analisada ainda neste ano. A votação célere tem como pano de fundo o fato de no próximo ano tomar posse a nova composição do Congresso, formada por parlamentares de direita eleitos após forte utilização das redes.
"Nós sabemos que a propaganda eleitoral tem regras no que diz respeito ao material físico, às TVs e às rádios. Nós entendemos que do ponto de vista das redes sociais, nós precisamos ter regras claras que garantam a paridade de armas e que tenham um sistema transparente, isonômico, para que não se tenha a possibilidade de um ou outro candidato se beneficiar", afirmou.
Nos bastidores, deputados que acompanham a discussão levantam suspeitas sobre os critérios para os algoritmos acelerarem ou restringirem determinada publicação. Eles citam como exemplo o vídeo produzido pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o Nordeste - em dois dias, a peça teve mais de 160 milhões de visualizações.
Um congressista que acompanha as discussões sobre as big techs defende que, assim como há limites para o tempo da propaganda eleitoral na televisão, definido conforme o tamanho das bancadas de deputados, sejam estabelecidas regras para uma distribuição proporcional das publicações.
Dessa maneira, poderia haver algum tipo de regra para as plataformas distribuírem os conteúdos de candidatos.
Outro ponto levantado entre os deputados é quando um influencer com milhões de seguidores decide ingressar na política e usar da plataforma como uma ferramenta de campanha. Ao UOL , um deputado que estava na reunião afirmou que uma das possibilidades aventadas seria impedir que esse perfil seja utilizado como plataforma eleitoral. Ou seja, caso o usuário queira entrar na política, teria de criar um novo perfil.
Além das propostas sobre as propagandas nas redes, Hugo Motta tenta aprovar neste ano mudanças no sistema eleitoral, de modo a limitar a atuação dos "puxadores de votos", como mostrou a coluna . Os dois temas, porém, são de difícil acordo entre os partidos.
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