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'Não podia calar': a luta de uma enfermeira contra o suicídio na Argentina

UOL Notícias ·
'Não podia calar': a luta de uma enfermeira contra o suicídio na Argentina

Eu não pari um filho para vê-lo morrer aos 16 anos. Quando Tadeo tirou a própria vida, no dia 15 de setembro de 2020, em pleno confinamento da pandemia, perdi o chão. Naquele instante, senti que tudo havia terminado, mas logo soube que não podia me calar. Eu não podia aceitar que o meu filho partisse assim e eu ficasse de braços cruzados diante de uma tragédia que estava destruindo tantas outras famílias.

Nós somos de Chascomús, no interior da província de Buenos Aires. Naquela época, a nossa cidade virou notícia nacional por causa de uma dolorosa onda de suicídios entre adolescentes. Os amigos do Tadeo estavam desesperados. Como o luto não cabia dentro de mim, decidi agir. Comecei a trabalhar com um psiquiatra infanto-juvenil de olhar comunitário, Carlos Tissera. Como estávamos na quarentena e não podíamos ir a consultórios, nos reuníamos no quintal da minha casa para organizar a posvenção —cuidado e amparo— e acolher as famílias enlutadas.

Sou enfermeira há muitos anos, mas até aquele momento nunca tinha atuado na área de saúde mental. Quando aconteceu com o Tadeo, meu primeiro impulso foi achar que ele tinha sido assassinado. Não entrava na minha cabeça. Não combinava com o temperamento dele, com o jeito de ele ser.

Essa é a primeira ilusão que precisamos quebrar: a sociedade ainda insiste em associar o suicídio unicamente a uma doença mental diagnosticada. Claro que transtornos existem e demandam tratamento, mas a maioria das pessoas que tiram a própria vida carrega um acúmulo insuportável de dores e sofrimentos. O suicídio não escolhe classe social; ele atinge a periferia e atinge famílias tradicionais e ricas. E não acontece por causa da "última coisa". Ninguém se mata porque foi despejado ou porque o namoro acabou. Aquilo é a gota d'água que faz transbordar um copo que já estava cheio.

No começo, tentar falar de suicídio era dar murro em ponta de faca. Havia uma recusa sistemática. Lembro-me de sentar com diretoras e autoridades regionais de educação e ouvir delas: "Milagros, você só pode dar palestras para maiores de 18 anos".

Eu olhava para aquelas pessoas e pensava: "Vocês não ouviram que meu filho tinha 16 anos? Não sabem que em Chascomús até uma criança de 10 anos se suicidou?". É preciso ter um amor imenso e um controle emocional inacreditável para não se revoltar diante de tamanha frieza institucional, quando quem tem a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes finge que o problema não existe.

As portas só começaram a se abrir de verdade quando a Lei Nacional de Prevenção ao Suicídio foi regulamentada, em setembro de 2021. A lei estabeleceu a obrigação de capacitar profissionais da educação, da justiça e da saúde, cobrou cobertura dos planos de saúde e deu legitimidade para que nós, das organizações comunitárias, entrássemos nas escolas para conversar diretamente com os alunos.

Sempre que visito as escolas, proponho uma dinâmica em que os jovens escrevem cartas anônimas desabafando o que sentem. Guardo caixas inteiras com esses relatos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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