Fonteles só troca Piauí por Fazenda se tiver 'carta branca', dizem aliados
Nos corredores do Palácio de Karnak, em Teresina, a ida do governador Rafael Fonteles para Brasília é dada como certa, caso o convite se confirme. Fontes locais afirmaram ao UOL que o terreno para uma renúncia já está até preparada com a escolha de seu homem de confiança, Washington Bandeira (PT), como seu vice. Mas há um porém: aliados do governador afirmam que mesmo sendo chamado para a joia da Coroa do governo como tem sido aventado, o Ministério da Fazenda, o petista só decidiria renunciar ao mandato se recebesse "carta branca" do presidente Lula para atuar.
A avaliação tanto no governo quanto no Piauí é que Fonteles "saiu grandão" da campanha de Lula e ganhou a confiança extrema do presidente. A simpatia ele já tinha, uma vez que é filho de um fundador do PT, Nazareno Fonteles, e conhece Lula desde criança. No segundo turno, Fonteles foi convocado para coordenar a campanha e viajou ao lado do presidente para as agendas pelos estados. Foi elogiado por ele por "enterrar a carreira do [senador] Ciro Nogueira" no Piauí.
"Rafael pegou o deputado Julio César (PSD) pela mão, rodou todo o estado e tirou o mandato do Ciro no Senado, por isso o presidente diz que ele enterrou a carreira do senador", relata um auxiliar do governador. E fez com gosto, pois queria se vingar de Ciro, ex-aliado do petismo, considerado por eles traidor do ex-governador e hoje ministro Wellington Dias. Wellington é como um "tio" de Fonteles, foi seu mentor na política, mas a cria ficou maior que o criador e, na avaliação dos aliados no Piauí, ele terá um cargo de destaque no quarto mandato de Lula, se habilitando como liderança nacional.
Três pontos mostram a influência que o governador tem exercido no entorno de Lula. Primeiro, a nomeação de Chico Lucas para uma secretaria no Ministério da Justiça para implantar o programa de segurança dos celulares. Hoje, Lucas é cotado para assumir a pasta no ano que vem.
No segundo turno, Lula saiu com um bordão de que seu governo colocaria os bandidos na cadeia. No primeiro turno, o slogan de Fonteles para a segurança pública, área em que vai bem no Piauí, era "bandido bom é bandido preso". Por fim, aliados do governador veem sua influência na mudança de opinião de Lula sobre a redução da maioridade penal. A redução para 16 anos para crimes hediondos era defendida por Rafael Fonteles, uma ideia dissonante dentro do PT. Foi encampada também pelo senador Camilo Santana, do Ceará, que pode assumir a Casa Civil no quarto mandato.
Mesmo com alas mais tradicionais contrárias, Fonteles escolheu pessoalmente Washington Bandeira, que é um ex-juiz do Trabalho que renunciou ao cargo para assumir, em janeiro de 2023, a Secretaria de Educação do Piauí.
Com seu homem de confiança, Fonteles não teria receio em renunciar e deixar o estado com uma pessoa confiável. Aliados também entendem que a aprovação popular do presidente Lula no estado — que teve no Piauí a maior votação do país, com 75,88% dos votos válidos — seria bem vista.
Outro ponto que os aliados destacam é que Fonteles poderia ajudar Lula com sua experiência de secretário da Fazenda no governo de Wellington Dias (2015-2022).
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