Entre os Jetsons, Mad Max e a Longa Marcha: Lula e o futuro do Brasil em disputa
OPINIÃO DE IARA VIDAL, NO SUBSTACK – Sempre gostei de traduzir meus sentimentos e minha maneira de enxergar o mundo por meio das roupas, da cultura pop e desses elementos aparentemente banais do cotidiano que, às vezes, conseguem explicar melhor as contradições da nossa existência do que os discursos mais sofisticados da política.
Talvez por isso eu leve tão a sério as referências que escolho para me vestir.
Uma camiseta, um desenho animado ou uma personagem de ficção podem dizer muita coisa sobre como estamos nos sentindo diante do mundo.
Quando era criança, imaginava que os anos 2000 seriam exatamente como o desenho animado dos Jetsons.
Teríamos carros voadores, robôs domésticos, cidades futuristas e uma vida confortável para todo mundo.
A tecnologia faria o trabalho pesado, enquanto nós teríamos mais tempo para viver.
Convenhamos, não era um projeto de sociedade ruim para uma menina que cresceu assistindo televisão.
Mas aquela fantasia não vinha apenas dos desenhos animados.
Ela também era fruto do Brasil em que cresci, um país que saía de uma ditadura militar e tentava aprender a viver em democracia.
Havia uma sensação, talvez ingênua, de que estávamos caminhando para alguma coisa melhor.
Depois de tantos anos de autoritarismo, parecia razoável imaginar que o futuro seria mais livre, mais justo e, quem sabe, até um pouco parecido com os Jetsons.
Eu acreditava que o progresso era quase inevitável.
Que a ciência, a tecnologia, o conhecimento e a democracia nos levariam, naturalmente, a uma sociedade menos desigual.
Não passava pela minha cabeça que poderíamos avançar tanto na capacidade de produzir máquinas inteligentes e, ao mesmo tempo, continuar tão atrasados na capacidade de conviver uns com os outros.
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