O que o Rock in Rio ensina sobre medicina
O ano é 1985 e, eu, um jovem aspirante a ser médico, parei um pouco meus estudos para ir ao maior festival de rock que nosso país já viu.
A brilhante ideia do sonhador Roberto Medina produziu, lá no fim da ainda não povoada Barra da Tijuca, um evento colossal que contava com os maiores nomes da música mundial.
A estrutura era primária: uma área de várzea com um palco gigantesco de andaimes e madeiras de obra, sistema de som e iluminação limitados e poucos efeitos.
Banheiros e “áreas de alimentação” distantes não davam conta das centenas de milhares de fãs.
Chovia quase diariamente e tudo virou uma grande pista de lama.
Mas tudo isso não importava diante dos shows de Queen, AC/DC, Iron Maiden, Rod Stewart, entre outros.
Passados 41 anos, após ter participado de alguns outros festivais, lá estava eu novamente, dessa vez com 35 anos de formado e vendo uma grande mudança de estrutura: telões gigantes, LED, efeitos visuais, som e produção espetaculares.
E veio a pergunta: enquanto os recursos ficaram extraordinariamente melhores, quem ocupa os palcos necessariamente melhorou na mesma proporção? Continua após a publicidade A resposta é não.
Infelizmente, essa estrutura fantástica não transforma automaticamente quem está no palco em Freddie Mercury.
E isso me faz traçar um paralelo com a medicina , pois vivo nesses dois mundos há mais de 40 anos.
Em 1985, a medicina no Brasil era glamourosa.
O Rio de Janeiro assumia papeis icônicos com grandes nomes de fama internacional semelhantes à fama das maiores bandas de rock.
Por aqui tínhamos “king”, não o “Queen” da cirurgia plástica, o Dr.
Ivo Pitanguy; o Iron Maiden da neurocirurgia, Dr.
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