Na Liga da Justiça do espumante espanhol
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Qual o melhor lugar para se aprender sobre vinho ? A dupla Danyel Steinle e Tássia Magalhães acha que é o bar. Por isso, criou um espaço no andar de cima do Lita , seu wine-bar. Singelamente batizado de EscoLita, o lugar reúne mensalmente interessados em ouvir, comer e provar vinhos de um produtor ou de determinada região.
O que começou como um curso de formação da equipe virou um evento com ingressos limitados, vendidos antecipadamente e anunciados a cada mês no Instagram da casa . Os preços variam e incluem, além da aula e dos vinhos, um menu preparado por Nathalia Schiavon, que comanda com primor a cozinha do Lita.
Na última semana, fui aluna de uma das turmas, que discorreu sobre Gramona, a célebre produtora da Catalunha , uma das criadoras da denominação Corpinnat, fundada em 2019. Até então, Gramona, conhecida como uma das melhores borbulhas da Espanha , pertencia à denominação de origem cava, que engloba espumantes feitos com uvas locais como macabeo, parellada e xarel-lo, duplamente fermentadas pelo método tradicional.
Mas a cava cresceu demais e passou a abrigar todo tipo de espumante, dos muito bons aos muito fracos, virando uma denominação genérica. Os melhores produtores resolveram fundar a Liga da Justiça do espumante espanhol, com uma régua bem mais alta. Nessa cartilha, só entram uvas orgânicas, a colheita tem que ser manual e o vinho precisa de ao menos 18 meses em contato com as leveduras para seu amadurecimento.
Na aula da EscoLita, aprendemos essas diferenças e também que Gramona existe desde 1881, no Penedès, a 40 km de Barcelona , primeiro sob o nome de Celler Batlle. Seus vinhos são "tão bons quanto os melhores champanhes, mas a preços mais convidativos", segundo a sommelier-chefe da produtora, Linda Díaz, uma das professoras da noite.
Não amo a comparação com os franceses. Para começar, as uvas são outras, o terroir idem. Gramona é sempre safrada, ou seja, traz o ano da colheita das uvas no rótulo, enquanto o mais comum para Champanhe é que blends de diferentes anos sejam engarrafados para que se preserve o perfil das maisons e o consumidor receba, ano após ano, não importa se frio ou quente, úmido ou seco, o mesmo vinho.
O que dá para dizer é que, assim como Champanhe, Gramona faz ótimos vinhos. O produtor se autointitula um "artesão do tempo", por usá-lo como uma espécie de ingrediente. Quanto mais tempo de autólise (quando o vinho fica em contato com as leveduras), mais cremosidade. Já pensou, então, num espumante com mais de cem meses?
Os vinhos de Gramona são importados pela World Wine e os preços começam a R$ 269 para os sem borbulhas, como o VXV Gessamí Blanco — corte de muscat, gewürztraminer e sauvignon blanc bem floral e com nota de fruta de caroço — e o rosado Mart, de xarel-lo, salino e fresco.
No primeiro degrau das borbulhas está o Gramona Aliances La Cuvée Nature (R$ 345), feito com as uvas nativas, que fica por 30 meses em contato com os resíduos das leveduras e traz um tostado bem delicado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.