Como Chapecó uniu tradição e inovação para se tornar um polo de negócios?
Indo além da tradição agroindustrial, Chapecó expande sua economia com foco em tecnologia, novos negócios e infraestrutura, destacando-se na geração de empregos e atração de investimentos no Sul
O que faz uma cidade longe do litoral e das grandes metrópoles se transformar em um ímã para negócios, talentos e investimentos? A resposta para essa pergunta não está em um milagre econômico repentino.
O município construiu sua força econômica pouco a pouco, apoiada na iniciativa de empresas, empreendedores e trabalhadores que souberam transformar desafios em oportunidades. A história de Chapecó começou com famílias que chegaram ao Oeste catarinense, envolvendo pequenas propriedades e muito trabalho no campo.
A partir da década de 1920, a colonização estruturou-se em propriedades rurais menores, enquanto o ciclo da madeira também marcou os primeiros passos da economia local. A partir de então, a produção agropecuária ganhou escala e encontrou novas formas de organização.
Um marco desse processo veio em 1948, quando foi criado em Chapecó o Posto Agropecuário para apoiar as primeiras iniciativas do setor no Oeste. Duas décadas depois, com o crescimento das cooperativas e o surgimento das primeiras agroindústrias, a estrutura foi transformada em Estação Experimental.
Nessa conexão entre propriedade rural, cooperativismo e indústria, Chapecó encontrou uma de suas principais vocações. A agroindústria passou a agregar valor à produção do campo, criar empregos e movimentar a cadeia produtiva.
O modelo de integração entre pequenas e médias propriedades rurais e agroindústrias formou uma das bases históricas da economia local, enquanto setores como metalmecânica, plásticos, embalagens, transportes, biotecnologia e serviços também cresceram ao redor dessa estrutura.
Se há uma coisa que o desenvolvimento de Chapecó deixou claro é que uma cidade não precisa escolher entre tradição e novidade. Nos últimos anos, o município ampliou sua base empresarial e passou a reunir negócios de diferentes portes e segmentos.
No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, Chapecó chegou a 55.376 empresas ativas, com 3.169 novos negócios abertos no período. Quase metade desse universo é formada por microempreendedores individuais, o que revela a força de quem transforma uma ideia, um serviço ou uma habilidade em fonte de renda.
Essa diversidade também aparece em áreas que apontam para o futuro do município. O setor de tecnologia cresceu mais de 20% em 2025, segundo dados da Prefeitura. Ao mesmo tempo, comércio, serviços, turismo, cultura e economia criativa ampliam as possibilidades de negócios e circulação de renda.
Dessa forma, Chapecó constrói uma economia de modo que novos modelos de negócio encontrem terreno para nascer, crescer e se conectar a um mercado regional amplo.
Uma cidade que quer continuar crescendo precisa pensar no que existe hoje, mas também preparar o terreno para o amanhã.
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