Taxímetro da IA no audiovisual continua sendo hora-homem
Em 2023, os sindicatos de roteiristas e atores pararam Hollywood contra a inteligência artificial generativa. Depois de três anos, o setor opera com a tecnologia dentro do fluxo.
A Netflix declarou usar IA generativa em cerca de 300 títulos, principalmente na pós-produção. Disney e TikTok assinaram um acordo global que autoriza criadores selecionados a usar cenas e personagens de Pixar, Marvel, Star Wars e FX em vídeo vertical. A ByteDance fechou com a Motion Picture Association um pacto de direitos autorais para os modelos Seedance e Seedream.
O caso ByteDance responde à segunda pergunta. A empresa parou um produto pronto por causa de notificações de Hollywood e só voltou à mesa depois de negociar controles de propriedade intelectual com a associação dos estúdios.
Gerar uma imagem e poder vendê-la são operações diferentes, e a venda depende de contrato. Nenhum estúdio contrata um modelo generativo que não consiga provar de onde vem o que ele produz.
A bilheteria norte-americana somou US$ 6,2 bilhões até 2 de agosto, alta de 15% sobre 2025. Os ingressos vendidos foram cerca de 470,9 milhões nas primeiras 30 semanas, contra 747,3 milhões no mesmo recorte de 2019. Hollywood fatura mais com menos gente na sala.
Existe uma camada acima da produção que quase ninguém orça. A IA já decide o que aparece. A Amazon redesenha o Prime Video em torno de recomendação e busca por voz no projeto Lighthouse. A Nielsen comprou a DoubleVerify por cerca de US$ 2,15 bilhões e passa a medir audiência e qualidade de inventário no mesmo fornecedor.
Uma obra produzida com IA será distribuída, recomendada, medida e descrita por sistemas de IA. Quem investe em geração e ignora indexação, metadado, crédito e sinal de procedência entrega para a máquina a decisão sobre quem verá seu filme.
A pergunta sobre a planilha de custos é respondida por quem executa. Ricardo Passos, CEO da BIG Studios, trabalha com 3D há quase 30 anos e diz já ter visto esse filme. "A IA é uma ferramenta mais eficiente, mas não é milagrosa", diz. "A gente ganha eficiência num determinado ponto da produção, mas ela também requer mais trabalho ou na pré-produção ou na pós-produção."
A técnica que organiza esse ganho tem nome. "Hoje você vai pro Grey Box Studios, é um estúdio super minimalista, fundo cinza. É só importante ter um pouco de contraste entre o ator e o fundo. E o diretor filma o ator e a IA consegue reconhecer a figura dele, recorta ele daquele fundo e aplica no ambiente que você precisa."
A conta que some é a de logística. "Vou filmar na praia, tem deslocamento de toda uma equipe, você tem que ir para aquele set de filmagem, você tem que esperar se vai fazer sol, que não pode chover, tem weather day. Agora não, você filma num fundo qualquer e fala: quero um fundo solar de praia." Ator, diretor, estúdio, tudo continua na conta. O que desaparece é o dia perdido esperando o tempo abrir, por exemplo.
Aqui está a contradição estrutural do momento. A indústria vendeu a IA como redutora de custo e de equipe, e o efeito medido na ponta é o oposto. "Existe uma crença generalizada de que a IA vai diminuir a minha quantidade de trabalho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.