Casas Bahia deve a 28 mil credores; veja quem pode sofrer mais para receber
O pedido de RJ (Recuperação Judicial) do Grupo Casas Bahia , com um passivo de R$ 17,3 bilhões, inclui uma lista de cerca de 28 mil credores. Se a Justiça aceitar o pedido, eles podem sofrer descontos de até 95% no valor a receber e atrasos para o pagamento de dívidas.
Casas Bahia tem cerca de 28 mil credores. Isso inclui instituições financeiras, fornecedores, trabalhadores e partes envolvidas em processos cíveis.
Recuperação judicial pode reduzir dívidas em até 95%. Cláudio Damasceno, economista especializado em reestruturação empresarial e sócio da RGF Associados , diz que planos de Recuperação Judicial podem atingir cortes expressivos nas dívidas e alongamento dos pagamentos por décadas.
Credores sem garantia tendem a enfrentar a maior reestruturação das dívidas. Leonardo Theon de Moraes, advogado empresarial e sócio do escritório TM Associados, explica que os grupos mais expostos a descontos e alongamento dos pagamentos são os chamados credores quirografários, que reúne créditos sem garantia específica.
Fornecedores estão entre redores mais expostos a descontos e longos prazos de pagamento. Tatiana Luz, sócia do NHM Advogados, afirma que fornecedores costumam possuir créditos sem garantia e, historicamente, enfrentam alguns dos maiores deságios e alongamentos de prazo em recuperações judiciais do varejo. Segundo ela, cortes de 50% a 80% e parcelamentos de 10 a 20 anos são comuns nesse tipo de processo.
Considerando histórico de processos de recuperação judicial, fabricantes como Samsung, Whirlpool, Electrolux e LG ocupam posição delicada na negociação com Casas Bahia. Brahim Bitar, sócio do Fonseca Brasil Serrão Advogados, afirma, entretanto, que esses fornecedores têm uma dupla função nessas renegociações: são credores da dívida passada, mas também são essenciais para manter as lojas abastecidas e a operação funcionando.
Alguns fornecedores podem receber condições melhores para continuar vendendo à Casas Bahia. Por isso, diz Thiago Groppo Nunes, sócio do IW Melcheds, planos de recuperação costumam criar categorias para credores considerados parceiros estratégicos. Quem continuar fornecendo produtos ou serviços pode ter acesso a condições mais vantajosas de pagamento.
Fundos e investidores não contam com a mesma vantagem operacional. Esses credores negociam em condições que consideram mais o tamanho de seus créditos e o poder de voto dentro da recuperação judicial.
Grandes bancos estão entre os maiores credores. Banco Digio, Banco do Brasil e Bradesco aparecem entre os maiores interessados em receber pagamentos. Boa parte dessas dívidas, entretanto, apresenta garantias que podem deixá-las fora das renegociações previstas no processo. Tatiana Luz, sócia do NHM Advogados, afirma que instituições financeiras também costumam ter maior poder de barganha porque controlam linhas de crédito.
Trabalhadores e Fisco contam com proteção maior na legislação. Segundo Thiago Groppo Nunes, créditos trabalhistas devem ser pagos em prazo menor do que os demais credores sujeitos à recuperação judicial.
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