Real entra no radar eleitoral: HSBC vê volatilidade maior e aposta contra a moeda no curto prazo
O câmbio entrou na mira do risco eleitoral.
Nas últimas semanas, o dólar à vista tem operado na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20 com o mercado precificando uma disputa mais acirrada entre o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com o aumento da volatilidade inerente às eleições, o HSBC passou a apostar em um real mais fraco no curto prazo e até montou uma posição vendida da moeda brasileira contra o peso mexicano, apostando em uma perfomance mais fraca do BRL ante os pares latino-americanos.
“A eleição é o principal fator de volatilidade para o real no curto prazo, especialmente as pesquisas e quem avançará.
O mercado está olhando para a disputa eleitoral de forma bastante binária”, afirmou Joseph Incalcaterra, head de estratégia macro para América Latina do HSBC, em entrevista exclusiva ao Money Times .
Segundo ele, o real deve ficar mais volátil, porém, no período pós-eleições, quando o mercado deve cobrar do próximo governo uma resposta para o principal ‘calcanhar de Aquiles’ da moeda: as contas públicas.
“Se o mercado esperar que o próximo governo apresente um pacote de medidas para conter os déficits e estabilizar a dívida em relação ao PIB, mas essas medidas não forem entregues, isso poderá desencadear uma fraqueza do BRL”, avaliou.
Mas até o resultado das urnas se concetrizar, a Selic na casa de dois dígitos tem funcionado como um ‘colchão’ para a divisa brasileira, limitando a valorização do dólar mais acentuada sobre o real mesmo com a proximidade das eleições.
“Sem os juros atuais, o BRL estaria muito mais fraco”, avaliou o estrategista.
O HSBC prevê o dólar entre R$ 5,00 e R$ 5,10 em dezembro, e em R$ 5,00 em 2027.
Anteriormente, o banco projetava o real a R$ 4,80.
Joseph Incalcaterra, head de estratégia macro para América Latina do HSBC (Foto: Reprodução/LinkedIn) Confira a seguir os principais trechos da entrevista: Money Times (MT): A eleição já está aumentando a volatilidade do real? Joseph Incalcaterra : O mercado está fazendo uma leitura mais positiva sobre a votação do segundo turno.
Mas, de maneira geral, acreditamos que a volatilidade política ou a incerteza eleitoral é quase sempre negativa para a moeda.
Então, independentemente de quem vença, apenas o fato de estarmos neste ciclo eleitoral tende a gerar maior volatilidade no BRL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.