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Como os juros em alta nos EUA, Japão e Europa ameaçam a economia brasileira

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Como os juros em alta nos EUA, Japão e Europa ameaçam a economia brasileira

A disparada dos juros futuros nas principais economias do mundo pode travar o crescimento da economia brasileira mesmo se o país fizer o dever de casa. Puxada pela disparada do petróleo , a alta dos juros no mundo afasta investidores dos mercados emergentes e obriga o Banco Central a manter a taxa brasileira nas alturas para segurar a fuga de dólares. O efeito dominó será no crédito mais caro para as empresas, na paralisação de grandes obras de infraestrutura e no risco de o dólar alto virar inflação no supermercado.

O motivo para a instabilidade é a disparada do petróleo provocada pela guerra no Irã. Quando o combustível fica mais caro, o preço de quase tudo sobe também, desde o frete que leva mercadorias pelo mundo aos insumos que abastecem fábricas. Como esse tipo de inflação corrói o valor do dinheiro ao longo do tempo, investidores não querem financiar uma dívida sabendo que os juros vão continuar altos por anos para conter essa alta de preços. Como resultado, o mercado passa a cobrar juros recordes até dos títulos mais seguros do planeta, os do Tesouro americano (os Treasuries ).

Os números mostram a dimensão dessa disparada. O rendimento dos Treasuries de dez anos rompeu a marca de 5% na terça-feira (15) , o maior nível desde 2007. A taxa média dos títulos de dez anos das sete maiores economias do mundo (G7) chegou a 4,285%, a mais alta desde 2008. No Japão, os juros de longo prazo atingiram o maior nível em três décadas, passando de 3%. A taxa de referência da Alemanha se aproxima do maior nível desde 2009, enquanto a França e o Reino Unido registraram máximas de décadas. Por trás da alta generalizada, o gatilho é o mesmo: o temor de que o barril do petróleo acima de US$ 100 obrigue os bancos centrais a subir os juros para conter a inflação.

Com taxas tão elevadas lá fora, o Brasil paga a conta. Quando EUA e outros países desenvolvidos pagam juros mais gordos a quem compra sua dívida, o capital internacional vai embora dos países emergentes. Como a moeda americana fica mais cara quando menos dólares circulam no Brasil, as empresas no país "podem desinvestir ou adiar os investimentos previstos até o final do ano", diz o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor de Administração da ESPM. Elas adiam a compra de máquinas, a expansão da fábrica e novos projetos.

O dólar mais caro também chega ao carrinho de compras. Boa parte do que move a indústria e o campo no Brasil, como fertilizante, trigo, peças e combustível, é cotada em dólar. Com o real mais fraco, o custo de produzir sobe da lavoura à fábrica, uma conta que termina na gôndola do supermercado e na bomba de combustível. "O risco maior ocorre quando a depreciação cambial começa a contaminar expectativas de inflação, formação de preços e salários", diz Gerson Brilhante, presidente-executivo da Arkheon Capital.

Se a alta do dólar se confirmar, a pressão inflacionária deve se consolidar no médio prazo. No curtíssimo prazo não há repasse porque as empresas trabalham com contratos já fechados, com pagamentos realizados na taxa de câmbio anterior.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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