Os cintos de castidade eram mesmo usados na Idade Média?
O cinto de castidade medieval é um conceito tão maluco quanto cruel: um invólucro de metal usado para trancar as partes íntimas das mulheres, preservando sua pureza à força.
Uma ideia, portanto, bastante misógina, o que não surpreende no contexto dos tempos medievais.
A questão é que, fora do imaginário popular, existe muito pouca veracidade nessa história.
É possível encontrar citações a dispositivos de castidade em textos europeus ao longo do primeiro milênio d.C., mas, até o século 12, essas menções apareciam em contextos teológicos, como metáforas para a fidelidade e a pureza.
Os “cintos” não eram objetos reais, mas sim formas de expressar que as mulheres deveriam preservar a virgindade e a pureza antes do casamento.
A primeira citação preservada de uma descrição física do objeto vem de 1405, presente em um livro chamado Bellifortis , cujo tema central era engenharia militar.
Ali, havia um desenho até bastante detalhado de um cinto de castidade: a faixa de couro para as ancas, duas alças para as pernas e, na região dos genitais, uma cuia metálica com furos para permitir a passagem de urina. <span class="hidden">–</span> Manuscrito de Bellifortis/Wikimedia Commons Continua após a publicidade Mas a autenticidade do que é descrito é duvidosa.
O professor de história Albrecht Classen, da Universidade do Arizona, que escreveu um livro desmentindo o mito dos cintos de castidade, observa que o autor de Bellifortis faz piadas escatológicas ao longo de sua obra e que, na vida real, não há registro de nenhum exemplar medieval autêntico correspondente ao objeto desenhado.
A imagem era, mais provavelmente, uma sátira.
Os riscos da tadalafila, o remédio para ereção que virou febre Continua após a publicidade A partir do século 16, aproximadamente, o cinto de castidade começou a aparecer com mais frequência em ilustrações, gravuras e xilogravuras.
Nesses tempos de Renascimento, frequentemente representava-se o mesmo cenário: o cinto sendo designado a mulheres casadas que precisavam manter a modéstia enquanto o marido estava longe, lutando em alguma guerra (e, muitas vezes, levando a chave consigo).
Ainda assim, essas representações eram principalmente humorísticas, ressaltando o absurdo da situação e também sua ineficácia.
Uma das imagens mais conhecidas da época, uma ilustração alemã do fim do século 16, mostra a esposa seminua, vestindo o cinto e entregando a chave para o marido, que se despede.
Atrás do dossel da cama, porém, o amante já está à espreita com uma duplicata da chave.
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