Vidas novas
Num regime democrático, as eleições se prestam para renovar nossas esperanças, jamais para legitimar enganos.
Por vezes, dá-se o contrário, pois, ao invés das melhorias que seriam esperadas nas nossas trocas de poderes — em particular dos nossos governantes, e nos três níveis: federal, estadual e municipal —, elas não têm produzido os resultados esperados.
Mas é justamente quando isto acontece que se nota a verdadeira importância do voto.
Como os votos são contados e não qualificados — o voto de um eleitor semianalfabetizado tem o mesmo peso que o voto dos mais expressivos políticos e jurisconsultos —, e como ainda não foi encontrada uma forma mais eficiente para se escolher os nossos representantes políticos, continua vigorando a regra “para cada eleitor, um voto”, independente da forma como tenha sido adquirido.
Lamentavelmente, nos nossos processos eleitorais, os mais suspeitos comportamentos são praticados, a destacar a compra de votos.
Neste particular, na nossa disputa eleitoral em curso, o mercantilismo eleitoral, por mais incrível que possa parecer, tem sido estimulado pelos recursos públicos e num volume nunca visto em nossa história.
Os fundos eleitorais e partidários, e em destaque as emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos, transformaram as nossas eleições num verdadeiro feirão para a compra de votos.
Diria até: legalizaram as mais inquestionáveis imoralidades.
Presentemente, para um candidato participar de uma disputa eleitoral, de antemão ele precisa avaliar o volume de dinheiro de que irá dispor para comprar parte de seus votos, posto que a sua vida pregressa, por mais exemplar que seja, não basta.
E, como o voto comprado pesa tanto quanto o voto consciente, os compradores de votos acabam se elegendo, não raro só sendo derrotados pelos candidatos que foram mais habilidosos no nosso mercado eleitoral.
As democracias, já que estamos nos reportando a elas enquanto regimes de natureza política, não são perfeitas, mas são seguramente as menos imperfeitas entre todos os regimes que a humanidade já conheceu.
Na falta de uma alternativa que assegure o valor e não o preço do voto, seja na presente e mais ainda nas futuras disputas eleitorais, faz-se necessário que reajamos ao mercantilismo eleitoral, começando, é claro, por responsabilizar os nossos partidos políticos que dão amparo aos candidatos que buscam se eleger comprando votos.
Nossa atual legislação político-partidária e eleitoral tem permitido que os votos dos nossos eleitores tenham preço e não valor; portanto, que a lancemos na lixeira de nossa história.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ac24horas.com — o conteúdo pertence a ac24horas.