A Grande São Paulo é pequena em suas ambições comuns
Coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, organização realizadora da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis
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Se cada vez somos mais individuais e menos coletivos, não é diferente quando observamos o comportamento das cidades que se unem em um determinado território.
A região metropolitana de São Paulo é uma das dez maiores do mundo, com seus 39 municípios e 22 milhões de habitantes. É a maior e mais rica da América Latina . O problema é que, embora rica, é muito desigual.
Na última semana, o Instituto Cidades Sustentáveis e a Rede Nossa São Paulo lançaram na Assembleia Legislativa do Estado o mapa da desigualdade da região metropolitana de São Paulo. O mapa é trabalho inédito e revela o retrato das 39 cidades da Grande São Paulo em 40 indicadores, distribuídos em nove temas como saúde, educação, transporte, habitação, saneamento e segurança, entre outros.
Só 19% da população de Juquitiba tem acesso a esgotamento sanitário, mas em Poá e Santo André , 100% são contemplados. Quase um quarto da população de Mauá vive em favelas, sendo que em sete municípios da região não há registro de domicílios em comunidades urbanas.
O município que registrou a maior violência (homicídios por 100 mil habitantes) foi Pirapora do Bom Jesus, sendo que Biritiba Mirim e São Lourenço da Serra apresentaram os menores índices. Os trabalhadores de Francisco Morato são os que despendem mais tempo no transporte para ir e vir do trabalho, ultrapassando as duas horas por dia.
O mapa mostra desertos na distribuição de centros culturais, o que dificulta o acesso à cultura por grande parte da população.
Cada vez mais ganha força a ideia de uma visão integrada das cidades. A exemplo do que acontece globalmente, quando os problemas climáticos e pandemias não respeitam fronteiras e devem ser tratados por uma governança global, não é diferente numa região metropolitana.
Quando chuvas torrenciais caem sobre nós, as fronteiras se apagam e fica evidente que a drenagem tem que ser planejada por uma governança metropolitana. As pessoas vivem em uma cidade e trabalham em outra, o que exige que o transporte seja pensado de maneira integrada. Na saúde, políticas comuns são necessárias, caso contrário um município vacina contra o sarampo e seu vizinho, não, colocando em risco a população. E por aí vai.
O mapa pode contribuir para preencher a lacuna de dados e informações da Grande São Paulo; estimular o planejamento integrado e o fortalecimento de uma governança da região metropolitana; incentivar as trocas e aprendizados de políticas públicas e boas práticas entre os municípios; impulsionar a elaboração de projetos comuns de financiamento e promover a redução das desigualdades intermunicipais.
Além disso, pode ser o início de uma série anual que permita verificar a evolução das cidades no tempo, evidenciando a relação entre o investimento e o acesso a serviços públicos de qualidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.