Com medo da Netflix, YouTube começa a pressionar influenciadores
O YouTube está negociando pacotes de pagamento milionários com criadores de conteúdo para mantê-los fora da Netflix por um período determinado, segundo apuração da Business Insider baseada em duas fontes com conhecimento direto das negociações. A informação foi divulgada originalmente pelo jornalista Lucas Shaw, da Bloomberg.
As conversas com criadores começaram nas últimas semanas e ainda não resultaram em contratos assinados. Em pelo menos um caso, o YouTube ofereceu um valor descrito como "na casa dos milhões" em troca de exclusividade temporária, mas os termos financeiros específicos ainda não foram detalhados.
Criadores que aceitarem acordos com a Netflix sem firmar exclusividade com o YouTube correm o risco de perder benefícios como apoio de marketing, acesso a eventos da plataforma e participação em campanhas de marca negociadas centralmente, de acordo com uma fonte ouvida pela Business Insider. Nenhuma das duas empresas comentou publicamente os termos das negociações.
Segundo o TheNextWeb, as propostas do YouTube assumem três formatos possíveis: financiamento direto para produções dos criadores, participação nos acordos de marca que a plataforma negocia com anunciantes e pagamentos antecipados em dinheiro.
A contrapartida exigida é a permanência do conteúdo exclusivamente no YouTube durante um período determinado , e não uma exclusividade total e permanente.
A estratégia representa uma mudança para uma empresa que, historicamente, relacionou-se com criadores quase exclusivamente por meio da divisão de receita publicitária. Financiar shows individualmente aproxima o YouTube do papel de um estúdio que encomenda produções, o que coloca a plataforma na posição de escolher quais canais recebem investimento.
A Netflix segue uma lógica oposta à do YouTube. Os acordos da streamer com criadores são licenciamentos não exclusivos, o que permite ao criador manter o canal, a receita publicitária, os patrocínios e a venda de produtos, enquanto a Netflix paga pelo direito de exibir o conteúdo em seu catálogo.
Esse modelo explica o sucesso da estratégia da Netflix nos últimos 18 meses. A empresa fechou contrato com Ms. Rachel no início de 2025, seguida por Mark Rober em agosto do mesmo ano e pelas gêmeas Stokes Twins em julho deste ano. Também há acordos envolvendo Sidemen, Rhett & Link, Jordan Matter e Nick DiGiovanni, além de podcasts como The Bill Simmons Podcast e The Breakfast Club.
A Netflix também tem comprado podcasts por valores fechados, caso do acordo de US$ 100 milhões que trouxe Jay Shetty à plataforma via Spotify. O relatório semestral What We Watched, divulgado pela própria Netflix, atribuiu 126 milhões de visualizações aos vídeos de Ms. Rachel dentro da plataforma em um único período, mesmo com o conteúdo permanecendo disponível gratuitamente no YouTube.
A receita do YouTube ultrapassou US$ 60 bilhões em 2025, superando a da Netflix no mesmo ano, e a empresa afirma ter pago mais de US$ 100 bilhões a criadores ao longo de quatro anos.
O YouTube também tem endurecido critérios em outras frentes, como o recente aumento das exigências de entrada no Programa de Parcerias .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em canaltech.com.br — o conteúdo pertence a Canaltech.