Argentina é paraíso das criptomoedas: 94% das negociações são para converter a moeda em ‘dólar digital’, diz a16z
Argentina , “comprar criptomoedas” com pesos significa “comprar dólares”.
Ao menos, é o que diz uma pesquisa da a16z Crypto : nada menos que 94% das negociações de criptomoedas realizadas em pesos são direcionadas a stablecoins , as criptomoedas com lastro em ativos do mundo real.
Não é de hoje que os argentinos têm uma afeição especial pelo dólar.
Acontece que a crise econômica que se arrasta desde o início dos anos 2020 — falando apenas dos problemas econômicos mais recentes, é claro — empurrou ainda mais pessoas para a versão digital da moeda norte-americana.
Em 2023, os controles de capital do país tornaram os dólares oficiais inacessíveis para muitos argentinos e elevaram para mais de 100% a diferença entre as taxas de câmbio oficial e paralela.
As stablecoins se tornaram uma alternativa porque estavam disponíveis 24 horas por dia e não eram afetadas por esses controles.
Na sequência, a Argentina suspendeu a maior parte das restrições para pessoas físicas comprarem dólares em abril de 2025, o que fez as taxas convergirem para um valor mais próximo.
Até a última sexta-feira (28), uma stablecoin em dólar poderia custar cerca de 4% a mais do que um dólar comprado pelo mercado oficial, segundo o levantamento.
Vale lembrar que a crise econômica da Argentina começa a perder tração e dá sinais de arrefecimento, ao menos por enquanto.
A inflação caiu, a compra de dólares voltou a ser legal e as pressões que originalmente levaram muitos argentinos às stablecoins diminuíram.
Seria de esperar que o uso dessas moedas também recuasse, diz o levantamento.
Argentina x Stablecoins O uso de stablecoins para receber salários se estabilizou em vez de desaparecer.
E os downloads da Lemon, uma das maiores carteiras de criptomoedas da Argentina, cresceram a cada trimestre, mesmo com a inflação mensal caindo de 25,5% para 2,1%.
As stablecoins podem não ser mais apenas uma proteção contra a inflação para os argentinos — elas podem estar se tornando um hábito, segundo o estudo.
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