Arroz come�a a subir no campo, enquanto feij�o registra queda
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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Os alimentos básicos trocam de direção neste mês. O arroz, que vem com seguidas quedas devido à boa oferta da safra passada, já recua menos e deve voltar a subir no varejo. O feijão, que estava com alta acentuada, começa a ter preços menores, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esses preços no varejo refletem o comportamento dos produtos no campo.
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) aponta preços médios de R$ 73 por saca do cereal no Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro. Cotado a esse valor, o arroz já acumula alta de 6% neste mês, após ter subido 14% em julho.
O feijão de melhor qualidade, que esteve de R$ 480 a R$ 500 a saca há algumas semanas, recuou para R$ 250 a R$ 280, segundo o analista Vlamir Brandalizze. A queda ocorre devido à maior oferta da leguminosa oriunda da terceira safra. Já a alta do arroz se dá devido à indefinição da próxima safra. A demanda cresce, os estoques são menores e o produtor faz contas se compensa o plantio, devido ao elevado custo de produção.
Brandalizze diz que parte da área tradicionalmente dedicada ao arroz poderá ir para soja ou pastagens. Por ora, as condições de chuvas são boas, mas as estimativas do setor são de uma redução de 5% a 10% na área de cultivo que será dedicada ao cereal no Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, varejo e indústria entram em uma queda de braço nas negociações para reposição de estoques. Nos últimos 12 meses, o preço do arroz caiu 13% para o consumidor, e o do feijão subiu 41%, segundo dados da Fipe.
Para os analistas do Cepea, o mercado de arroz segue firme porque os produtores seguram as vendas, em um momento de necessidade de compra pelas indústrias. Na avaliação deles, os produtores esperam valores próximos de R$ 80 por saca de 50 kg, acima dos valores atuais de negociação.
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