Tribunais dando de ombros para STF é a suprema esculhambação
Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A novela dos penduricalhos desmoraliza o Judiciário e ofende o contribuinte. Estava decidido: a partir de abril, nenhum juiz poderia receber mais do que R$ 78,8 mil. O valor já estava fora da órbita, pois o teto constitucional é de R$ 46,3 mil. Mas sete tribunais decidiram exorbitar em cima da exorbitância. Quatro ministros do Supremo — Moraes, Dino, Zanin e Gilmar — ordenaram a devolução imediata dos "pagamentos exorbitantes".
Os contracheques da magistratura continuaram na estratosfera no Distrito Federal, Maranhão, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraná e Rondônia. Um desembargador aposentado mordeu R$ 3,2 milhões em abril. Outro magistrado de pijamas beliscou R$ 554 mil em maio. No mesmo mês, uma juíza mastigou R$ 490 mil. Mais de 1.500 contracheques ficaram acima de R$ 100 mil. Nove ultrapassaram os R$ 200 mil.
A magistratura inventou sua própria aritmética. Subverteu as quatro operações: somar, subtrair, multiplicar e dividir. Somando penduricalhos aos contracheques, os juízes dividiram o país entre a casta dos supersalários e a ralé que paga a folha. Intimados pelo Supremo a subtrair parte das vantagens, os magistrados multiplicam as desculpas para descumprir a ordem. O resultado é que os tribunais dão de ombros para o STF. É a suprema esculhambação.
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