STF apura se Weverton Rocha atuou para atrapalhar investigação de assassinato
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) atuou para obstruir as investigações do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, morto em 2022 no Maranhão.
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do parlamentar registros de contatos reiterados com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu pela transferência do condenado pelo crime para a Penitenciária Federal de Brasília.
A investigação, cujo sigilo foi levantado pelo ministro Flávio Dino, aponta para uma rede que envolve políticos, operadores financeiros e agentes das forças policiais agindo para encobrir a suposta participação de agentes públicos no caso.
A PF extraiu do celular do senador registros que, segundo a corporação, revelam “comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025”, por mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias.
O dado mais sensível levantado pela PF é a coincidência de datas: um dos contatos entre o senador e o ministro teria ocorrido em 2 de junho de 2025 , exatamente o dia em que Humberto Martins assinou a decisão de transferir Gilbson Cutrim Soares Júnior para a Penitenciária Federal de Brasília.
O ministro do STJ não é investigado no inquérito, mas as citações ao seu nome serão apuradas, segundo o STF.
Weverton Rocha, ao contrário, figura formalmente como investigado.
De acordo com o ministro Flávio Dino, que determinou a retirada do sigilo das investigações, o enredo envolve “corrupção passiva, peculato, organização criminosa, homicídio, obstrução sistemática da Justiça e atuação deliberada de um policial federal infiltrado para barrar decisões da Justiça”.
Rede de obstrução e caso do assassinato O ponto de partida é o assassinato de João Bosco Sobrinho, em 2022, em São Luís.
Gilbson Cutrim Soares Júnior foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça do Maranhão como executor do crime.
Segundo Flávio Dino, o homicídio ocorreu durante uma reunião convocada para tratar da divisão de propinas decorrentes de contratos públicos fraudados, e na cena do crime havia “políticos e parentes de autoridades públicas de elevado escalão, um dos quais conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão”.
A investigação apura se o crime tem ligação com cobranças de propina envolvendo Daniel Brandão, atual presidente do TCE-MA, e integrantes da família do governador Carlos Brandão (MDB).
Em depoimento à PF, o próprio Gilbson Cutrim afirmou que Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão, teria oferecido ao pai dele “vantagens, dinheiro e casas” para “tirar o nome do Daniel e do pessoal da família Brandão” dos depoimentos.
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