Das manchetes da Globo aos feeds do Instagram: como a nova geração vê a geopolítica mundial
Como são formados os imaginários geopolíticos de estudantes do ensino médio a partir das informações que consomem nos diferentes tipos de mídia? Esta foi uma das questões que busquei responder em minha pesquisa de mestrado, realizada em 2017.
A pesquisa foi conduzida a partir da exibição de imagens e da aplicação de questionários.
Foi constatado que os imaginários geopolíticos desse público (ou seja, as representações mentais e discursivas que orientam a leitura e a interpretação do espaço mundial) eram formados com base nos conteúdos presentes na chamada grande mídia brasileira – veículos como Globo, Folha e Veja.
Assim, atores geopolíticos e sistemas econômicos representados positivamente nos noticiários – como os Estados Unidos e o capitalismo – também foram vistos positivamente pelos participantes de minha pesquisa.
Do mesmo modo, a Venezuela e a Civilização Islâmica, por exemplo, estigmatizadas constantemente nas telas da GloboNews ou nas páginas da Folha de São Paulo, foram percebidas de forma negativa pelos alunos.
Na época, chamava atenção o fato de a geopolítica ser um assunto secundário nos noticiários, repercutindo no desinteresse do público de maneira geral.
Mudanças consideráveis Quase uma década depois, mudanças consideráveis ocorreram, tanto na geopolítica global quanto no ecossistema informacional.
A intensificação do genocídio do povo palestino realizada pelo Estado de Israel, como reação à Operação Dilúvio de Al-Aqsa, colocou a geopolítica no centro das discussões da agenda pública global.
Consequentemente, também aumentou o interesse das pessoas em saber o que acontece além das fronteiras brasileiras.
Outro ponto a se destacar foram as inúmeras matérias, reportagens e artigos de opinião presentes na internet que desconstruíam as narrativas midiáticas sobre “defesa de Israel” e “terrorismo palestino”.
Diante desse inédito quadro, os resultados da pesquisa de mestrado continuam válidos? Para responder a essa pergunta, em 2026, no pós-doutorado, me propus a fazer um estudo semelhante ao de quase dez anos atrás.
E os resultados apurados me indicam que os estudantes do ensino médio já não são tão influenciados pelos discursos midiáticos.
Especificamente sobre a geopolítica palestina, as imagens e vídeos que nos chegam da Faixa de Gaza não deixam margem para dúvida.
É o primeiro genocídio televisionado e instagramável da história.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.